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Cauê Leitão: Confira entrevista com o guitarrista do Andragonia

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Cauê Leitão é um dos grandes expoentes da nova geração de guitarristas brasileiros. O pernambucano possui um estilo único, que mescla as mais diversas influências, além de muita técnica e virtuosismo. Batemos um papo bacana com ele, que vocês conferem abaixo.

 

CAUEVamos começar pelo princípio: de onde veio a ideia de ser músico? Como tudo começou?

Primeiramente obrigado Groundcast pela entrevista, quando tinha uns 12 a 13 anos meu pai me colocou em aulas de violão, a princípio não tinha pretensão nenhuma, era pura curiosidade, logo fui tomando gosto e aprendendo algumas músicas, com um tempo fui chamado para entrar no grupo musical da igreja que eu e minha família fazia parte. Fui crescendo e cada vez mais tomando gosto pela coisa, logo fui conhecendo grandes músicos e grandes bandas, conheci o rock e já me apaixonei pela guitarra, troquei minhas aulas de violão pelas aulas de guitarra e já fui formando com amigos uma banda de rock, realmente foi o início de tudo. Com o passar dos anos vi que a cidade não oferecia suporte suficiente para um cara que queria virar um musico profissional, ai optei de voltar para minha cidade natal que é Recife, e logo vim embora para São Paulo que era o que sempre quis.

Antes de falarmos de você, vamos conversar um pouco sobre a sua banda, o Andragonia. Este ano o grupo passou por uma reformulação e, contando apenas com você e o Thiago Larenttes da formação original. Como foi esse processo de “renascimento” para o grupo?

Você falou a palavra certa, renascimento, a banda realmente tem muita história pra contar, o ano de 2012 foi realmente um ano conturbado, esperávamos a gravadora que trabalhávamos na época fazer a prensagem do nosso último disco o “Memories” (2012), que terminou não rolando, isso desanimou muito, nesta mesma época o antigo baixista recebeu uma proposta pra ir pros Estados Unidos, e terminou indo, e isso desanimou mais ainda, a banda já vinha de um desânimo e mais essa ainda foi quase o fim. Pensávamos positivo sempre, mas tava bem difícil, só que hoje temos certeza que tudo isso aconteceu para que o Andragonia estivesse hoje da forma que está, estamos muito felizes com a nova formação, hoje temos 100% de participação de todos os integrantes, trabalhamos felizes e nos divertindo muito, é claro que tocar metal no Brasil é sempre uma tarefa pra guerreiros, só que hoje estamos leves e felizes, e a música “The Challenger” representa esse renascimento!

Vendo (e ouvindo) a música “The Challenger”, nota-se uma grande mudança no Andragonia, apostando numa sonoridade ainda mais complexa, mas sem abandonar o metal. Como anda o processo de criação dessa nova fase? O que podemos esperar do novo disco?

Hoje vivemos outra fase, temos novas influências, gostamos de muitas bandas modernas, sonoridades orientais, além do novo vocal ter uma característica mais agressiva e visceral, a soma de todas influências é que está dando esse resultado e essa nova cara para o Andragonia. Queremos soar mais pesado e agressivo, mas sempre tendo nosso lado melódico, é natural alguns estranharem se tocarmos algo diferente do que já foi feito, mas o que realmente importa pra gente é soar da forma mais verdadeira possível, estamos muito felizes e isso que anima para continuar fazendo música, podem esperar que o novo cd vai ser chumbo grosso (Risos)

De onde veio a ideia genial de regravar um tema de Dragon Ball GT? Você é fã de alguma série/anime/filme whatever?

Sempre fui fã do Dragon Ball, e a galera da banda também, acontece que teve uma época que surgiu uma oportunidade de tocarmos no ‘Anime Friends’ em São Paulo, e surgiu a ideia de fazer essa versão, onde tocaríamos neste evento. Só que acabou não rolando o show, mas foi muito legal gravar essa versão, nos divertimos muito, e revivemos com esse som muita coisa da nossa infância.

764716Agora vamos falar um pouco sobre você. Ouvindo seu trabalho solo e os discos do Andragonia, nota-se uma série de influências, que vão do metal extremo ao eletrônico. Gostaria que você comentasse o que te influencia para compor e como guitarrista.

Bom eu tive uma formação como guitarrista que passei por várias vertentes, vim do rock, mas estudei com o Mozart Mello, onde estudei outros estilos, outras sonoridades, e muito sobre o lado harmônico da coisa. Gosto de pesquisar, nunca ficar na mesmice, gosto de conhecer novas bandas, novos guitarristas, entender o que cada um faz e absorver o que acho legal, independente do estilo, se a música me agradar eu vou fundo nela e tento entende-la, isso tudo influência na composição. Mas hoje busco muito a originalidade, o que eu acho que é o mais difícil do músico conseguir, tocar parecido com alguém não é tão difícil, mas e a originalidade? Isso sim é difícil!

Falando ainda do “Lab Guitar Experience” (2012), o que eu noto de diferente nele com relação ao trabalho solo de guitarristas é que a ênfase não fica somente na guitarra e dá espaço para os outros instrumentos aparecerem. Como foi compor este trabalho?

Eu simplesmente fiz o que tava com vontade de fazer, com verdade, tem músicas bem pesadas, como a “Chaos On The Ropes”, mas tem baladinhas como a “Into The Cloud”, e também músicas mais groovadas como a “Reflection In Goove”. Gosto de peso, mas também gosto de baladinhas com muito feeling e também de climas fusion. Sou um apreciador de boa música, gosto de ver a bateria fazendo boas viradas e bons grooves, gosto de sentir o baixo com uma boa pegada e com bastante swing. A minha ideia para o disco era fazer música e não simplesmente ter uma cozinha e ficar solando em cima, acredito que esse pensamento que fez com que chegássemos neste resultado.

O Brasil tem despontado com muitos bons guitarristas, que não seguem mais aquela escola de fazer riffs na velocidade da luz e tocar o tempo todo com arpejos. Você é uma grande prova de que é possível fazer música de verdade sem precisar ser o mais rápido ou o mais brutal. E como você vê os outros novos guitarristas da sua geração?

Muito obrigado pelo elogio, tem muitos amigos bons, posso citar aqui vários, mas alguns tem dificuldades de desenvolver uma carreira, é aquela coisa, todos querem, mas pagar o preço para as coisas acontecerem poucos estão dispostos, conseguir alguma coisa no Brasil fazendo esse tipo de música, ou você é guerreiro ou você logo desiste. Tem muitos também que acham que só ter uma boa técnica e tocar rápido já é o bastante, mas acho que vai da idade também, logo ele amadurece e ver que o caminho é outro, imitar alguém, ou tocar parecido com outro guitarrista não o leva a lugar algum, o importante é buscar a originalidade, nem que você leve a sua vida inteira nesta busca!

Dá para viver como músico ou ainda é preciso ter uma segunda profissão para poder manter aceso o sonho de continuar tocando boa música?

Então, pra viver dá, mas é preciso ‘se virar’, com aulas, shows, workshops, gravações, acompanhar artistas, tudo isso é uma forma de trabalhar com música. No meu caso trabalho mais com aulas, workshops e shows com minha banda, mas eu conheço muita gente que é músico e tem uma profissão por fora. O mercado é muito concorrido, existem também ‘panelinhas’ que é difícil uma cara nova se entrar, mas acho que sendo o máximo profissional possível, ter ética e trabalhar com amor pode ajudar nessa profissão.

Certa vez li numa entrevista que você sempre procura por sonoridades não convencionais. Gostaria que falasse um pouco sobre isto, até mesmo porque um dos focos do Groundcast é justamente falar deste tipo de som.

Legal, sou muito apreciador de sonoridades orientais, gosto de climas árabes, indianos, japoneses e climas folclóricos de países com culturas exóticas, acho que tudo isso só agrega na boa música, o convencional as vezes soa muito chato e repetitivo, o desafio é trabalhar essas influências com bom senso, e desenvolvê-las fazendo com que até um leigo entenda.

O seu trabalho anda tendo um bom reconhecimento dentro da mídia especializada, incluindo uma entrevista para a revista Guitar Player. Como você vê esta repercussão?

Realmente é muito gratificante ter um retorno assim, o trabalho é muito árduo e cansativo, esse retorno nos anima a continuar trabalhando, a entrevista para Guitar Player foi muito inesperada, eles entraram em contato através de e-mail me convidando, realmente fiquei muito feliz, sou muito grato a todos que vem acompanhando e curtindo meu trabalho!

Anda acompanhando alguma cena musical? Tem ouvido algum lançamento?

Sempre estou acompanhando as bandas da cena metal nacional, acho que hoje vivemos um meio termo, já foi melhor, e também já foi pior, sobre lançamento de bandas acompanhei o do HEVILAN, gostei muito da proposta deles, além de acompanhar lançamentos de grandes cds de guitarristas, como o do Paulo Schroeber, Marcelo Souza e de vários outros.

Com relação à cena brasileira, o que você pensa sobre ela? Existe espaço para músicos novos ou todo mundo só quer saber das bandas consagradas?

Realmente não existe espaço nas grandes mídias, a mídia especializada sim existe, e por sinal deixo aqui todo meu respeito, pelo que percebo é que a grande mídia tem um certo preconceito para até conhecer um novo trabalho, estão acostumadas sempre com os mesmos, então preferem continuar na mesmice, tem programas que já levou 50 vezes o mesmo guitarrista ou a mesma banda, e simplesmente ignoram novos artistas, realmente é revoltante, o Brasil está cheio de talentos e eles insistem de levar sempre os mesmos. Existe um pensamento de que uma banda de metal no Brasil precisa ter um certo respeito primeiro fora do Brasil, pra que depois ganhem algum respeito dentro, só que, será que todo mundo tem condição pra isso? Será que vão ter disposição pra isso? O público e a grande mídia deveriam sim olhar pra novos artistas, e realmente ver que seus trabalhos não deve pra nenhuma banda ou artista já consagrado.


E a agenda de shows? Li uma vez, na página do Andragonia, sobre como é complicado marcar shows e como os produtores não demonstram interesse em bandas novas.

Em 2014 pretendemos tocar no máximo de lugares possíveis, e também fazer alguns shows na Europa, realmente uma banda nova sofre muito pra ter uma boa agenda de shows, os produtores de eventos querem saber se vai ter um bom retorno financeiro, então porque arriscar se já tem uma banda consagrada com garantia de um bom retorno? Essa é a grande barreira que uma banda nova sofre, e o que poderia realmente mudar esse quadro são os fãs, eles tem o poder nas mãos, podem simplesmente fazer campanhas pra tal banda tocar no local, ou simplesmente fazer baixo assinados e mostrarem para os produtores que o show vai ter uma boa demanda, com isso o show é marcado rapidamente. Estamos na batalha, o nome do Andragonia vem se consolidando aos poucos e ganhando sempre mais espaço, o preconceito de simplesmente conhecer um novo trabalho deve acabar, tem muita coisa boa por ai, valorizem e busquem conhecer novos artistas!

Agora vamos para uma das perguntas clichês do Groundcast: e a distribuição de mp3, o que você pensa sobre o assunto?

Bom, hoje em dia são comuns sites de vendas de músicas digitais, como o iTunes, Amazon, isso de uma certa forma diminuiu esse lance de download gratuito, mas infelizmente a venda de cd físico diminui cada vez mais, eu sinceramente não sei se ainda vai existir daqui uns anos, é uma pena, cresci comprando discos, álbuns que você faz questão de tê-los originais. Toda essa modernização com o lance da internet de uma certa forma ajudam muito uma banda independente que não tem gravadora para dar um suporte, mas vendo pelo outro lado o artista perde de ganhar o devido valor pelas suas obras, mas acho que nos tempos de hoje sites para venda do mp3 é válido sim, pois pelo menos garantem algum retorno para o trabalho do artista.

O que você anda ouvindo ultimamente e o que recomenda para os nossos leitores?

Ouço muitas coisas, e sempre procuro conhecer novos sons, de bandas ouço Tesseract, Periphery, Symphony x, Myrath, Freak Kitchen, Protest The Hero, Joseph Magazine, Animals As Leaders, Meshuggah, Dream Theater e muitas outras, ouço muitos guitarristas também, como Paulo Schroeber, Mattias IA Eklundh, Guthrie Govan, Tosin Abasi, Marcelo Souza e muitos outros, e realmente o que eu recomendo é que eles busquem conhecer novas bandas e novos artistas.

Que conselho você daria para a quem deseja começar a ser músico?

Buscar conhecimento, estudar bastante e ficar preparado para o mercado de trabalho, pensar sempre que você escolheu essa profissão pelo prazer que você tem de tocar, ser músico é você tocar no coração das pessoas e mexer nos seus sentimentos, procure sempre se aperfeiçoar e ter sempre simplicidade e humildade nas suas palavras.

Agradeço demais pela entrevista e agora é aquele momento em que você deixa uma mensagem para os nossos leitores. Manda bala.

Muito obrigado Groundcast por essa entrevista, agradeço por todo o apoio que vocês dão para o meu trabalho, agradeço todos os amigos e fãs por todo o carinho, visitem a minha página www.facebook.com/caueleitao e a página do Andragonia www.facebook.com/andragonia, fiquem atentos com todas as novidades, valorizem as bandas nacionais, procurem ir aos shows e prestigiar os novos artistas, assistam o novo clipe do Andragonia The Challenger, e se preparem que o Andragonia em 2014 está vindo com força total! Valeu galera!

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