These Curious Thoughts – Inventing Dr. Sutherland and His Traveling Hospital (2014)

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Em primeiro lugar, preciso MUITO pedir desculpas ao meu grande amigo Jim Radford pela demora no review: eu simplesmente esqueci dele. Mas, como prometido, cá está e posso adiantar para vocês uma coisa: este disco é do caralho. É excelente da primeira à última música, com uma sonoridade que cativa o ouvinte na primeira audição.

Sendo bem sincero, o These Curious Thoughts é uma daquelas bandas de rock progressivo com folk que tem que ser ouvidas, sobretudo por trazer a mescla perfeita entre o folk, o neofolk e o prog rock, tanto suas vertentes mais clássicas quanto as suas modernidades.

O disco começa com “The Dark Room” e uma levada de prog anos 70, com direito até mesmo a psicodelia. A segunda faixa, “Inventing Dr. Sutherland and His Traveling Hospital” é de um pop lisérgico, cativante, com uma levada meio indie/folk. Seguindo com “Diagnosis”, continua a mesma pegada da faixa anterior, mas acrescenta uma beleza melódica muito forte, além de trazer um pouco de jazz a mistura sonora. Em “Jupiter’s Baby” somos levados por uma balada bem psicodélica, que agradaria facilmente fãs de Pink Floyd. “Purple Godzilla” é um funk rock refinadíssimo e de bom gosto, com grande presença de linhas de guitarras swingadas e potentes. É uma daquelas canções que grudam na cabeça.

“Born Again” é pop rock, largando um pouco da psicodelia e marcando presença com guitarras na medida certa. “Locked up in Chains” respira um acid rock com progressivo que lembram um bocado o Yes, mas numa medida menos pomposa e mais acertada, sem os exageros do grupo. Os violões voltam a aparecer, num ritmo country, mesclando um pouco do folk rock americano em “Backpack Full of Tears”, parecendo música de filme de faroeste. “Choking on the Walls” é uma das faixas que eu pessoalmente menos gosto deste trabalho, talvez por ela não ter a grandeza que as outras possuem, talvez por ela repetir um pouco a estrutura do que foi apresentado antes ou por soar excessivamente pop. “Dr. Jekyll and Mr. Hyde” resgata o folk britânico, soando muito como o Death in June, sobretudo por causa do vocal. É a minha música preferida deste disco.

Esse neofolk continua em “Dirty Windows”, soando como uma mistura entre o pop das músicas anteriores e o folk. É uma das músicas mais lindas deste disco. Em “An Ocean Song” o pop volta, mas num tom mais melancólico, apontando para o final deste grande trabalho. “Sirens” inicia de forma bastante lenta, para depois entrar uma bateria tribal e voltar a psicodelia do começo do disco. É meio como se indicasse um retorno ao começo de tudo. “My Ashes” parece com aquelas músicas antigas dos anos 60, trazem um lado bastante empolgante e um refrão grudento. E esta epopeia termina com “Sacrifice”, um pouco sem gás comparado com as primeiras músicas, mas segura bem o resto do disco.

No geral, é um excelente trabalho. Descontando talvez uns problemas aqui e ali em algumas músicas, o saldo geral é positivamente encantador e vale a pena ser ouvido várias vezes.

E Jim, foi mal ter demorado tanto pra escrever.


Editor, dono e podcaster. Escreve por amor à música estranha e contra o conservadorismo no meio underground.