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ENTREVISTA: Dark Fortress

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317905_521340411230568_506561771_nDark Fortress é uma banda de Black Metal vinda da Alemanha, mas não somente isso. Defini-los como uma mera banda de Black Metal não faria a justiça devida. Com grandes momentos e composições em suas músicas a banda o submerge em um mundo próprio para aqueles que procuram apreciar o trabalho com cautela. Confira a conversa que tivemos com o vocalista Morean.

GroundCast – Para começar, você pode nos contar um pouco da história da banda?

Morean: A banda foi formada por Asvargr e Azathoth no ano de 1994 em Landshut / Bavária – muito tempo antes de eu sequer pensar em ser um membro dela. Eles eram apenas adolescentes naquele tempo e precisaram de 7 anos para que conseguissem lançar seu primeiro álbum. Isto mudou tudo, naquela época não existiam muitas bandas extremas naquela área e por conta disso Red Stream Records fez um contrato para lançar os dois primeiros álbuns da banda, pela promeira vez uma banda de Black Metal (daquela parte da Alemanha) teve alguma relevância internacional. Depois veio um contrato com Back Attakk Records para o terceiro álbum e com a Century Media para tudo que veio após isso.

GroundCast – Quais são as suas influências?

Morean: Inicialmente, bandas como Satyricon e Mayhem eram essenciais. Quando a banda começou a aumentar sua paleta musical eu diria que entraram bandas como Shining e Slayer e recentemente Opeth e Nevermore se tornaram importantes referências, mas acredito que as grandes influências tendem a vir da Escandinávia.

GroundCast – Devo admitir que Dark Fortress é uma das melhores bandas que já ouvi, as composições são sensacionais. Como funciona esse processo, vocês possuem um compositor principal?

Morean: Obrigado. Sim, V Santura escreve cerca de 80% das músicas e também produz o álbum. Eu escrevo as letras e sou responsável pelo conceito que o álbum terá e os outros 20% são contribuição dos outros membros.

GroundCast – Ano passado vocês lançaram o excelente Venereal Dawn após 4 anos desde o lançamento do álbum Ylem, por que precisaram de tanto tempo para lançar seu último álbum?

Morean: A principal razão é porque a maioria dos integrantes tem que divider seu tempo com outras bandas e trabalho, um problema que vem ficando cada vez maior com o tempo. Nós também precisamos de dois momentos para que as músicas ficassem prontas. No primeiro, nós escrevemos algumas músicas, mas apenas em 2013 nós tivemos material o bastante para que alguma coisa se adequace com nossas ambições. Outro motive que atrasou o lançamento é por que o ultimo álbum do Triptukon precisou ser produzido logo após o nosso e com isso Dark Fortress teve que esperar alguns dias para terminar a mixagem o que no final acabou atrasando o lançamento do álbum em meses.

GroundCast – Dividirei a banda em duas partes, uma vai do álbum Tales from Eternal Dusk até o Séance e a outra do álbum Eidolon até o Venreal Dawn. O que você acredita que você Morean como pessoa ajudou a contrinuir com a banda nos últimos três álbuns Eidolon, Ylem e Venereal Dawn)?

Morean: Eu não queria quebrar a linha que a banda estava seguindo até o momento que eu me tornei o vocalista eDark_Fortress_Veneral_Dawn eles também me deram a liberdade de colocar a minha própria voz – literalmente e metaforicamente. Meus focos emocionais e literários são diferentes do meu predecessor e eu tenho a cada álbum fazer algo diferente nas linhas vocais. Penso em coros, vozes limpas, utilização de línguas estrangeiras e o tradicional tema do Black Metal. Desde que eu sou guitarrista também eu pude contribuir com a música em um caminho diferente. Tudo isso foi um processo natural para desenvolver os álbuns. O que eu posso afirmar é que nesses últimos três lançamentos a banda trabalhou como um coletivo, nos inspiramos uns aos outros e nós podemos afirmar que dessa forma podemos criar algo que vai muito além da soma de todas as partes.

GroundCast – Na minha opinião, Veneral Dawn é um passo a frente na carreira da banda e até me atrevo a dizer que muitos não estão preparados para ouvi-lo, como você descreveria esse álbum?

Morean: Diria que o álbum reflete o que nós sentimos como essência do Dark Fortress e Black Metal. Isto é diferente para cada álbum e nós nos preocupamos para não escrever o mesmo álbum duas vezes. Então o que nós sentimos pode diferir um pouco da classificação normal de Black Metal, que se tornou um pouco conservador nas últimas duas décadas. Nós sempre olhamos para novamos caminhos para dizer o que queremos, a pergunta do “se o que fazemos hoje em dia ainda é Black Metal” não nos interessa – tudo que fazemos é 100% Dark Fortress.

Ylem e Veneral Dawn são um pouco mais lentos do que os álbuns anteriores, nós tivemos a Liberdade de trabalhar novas idéias e tivemos espaço suficiente para desdobrar e desenvolver cada uma delas. Para o próximo álbum teremos mais mudanças, pode ter certeza.

GroundCast – Posso dizer que Veneral Dawn é o choque entre duas forças extremas, seria algo como se a melodia finalmente encontrasse uma maneira de se fundir com a brutalidade. A sonoridade desse álbum é algo que a banda pensa em explorar mais em um próximo lançamento.

Morean: Ninguém pode dizer como será o próximo álbum até que ele comece a ser escrito, mas sim, você está certo – a banda sempre tenta balancear melodia e brutalidade e se você escutar cuidadosamente os lançamentos antigos, esses dois elementos sempre estiveram lá. Diferentes para cada álbum, existe uma linha entre toda a história da banda (que divide essa idéia de melodia e brutalidade) e nós também aprendemos muito em cada produção. O sentido de aventura, de surpreender nós mesmo é uma importante razão do PORQUE nós ainda conseguimos alcaçar tudo isso com essa banda.

GroundCast – As letras são algo que chama minha atenção, especialmente no ultimo lançamento. Quão importante é o trabalho da banda na parte das letras?

Morean: Nem todo mundo que ouve nossa música está interessado nas letras e não vejo nenhum problema com isso, mas eu tenho um sentimento de que eu preciso dizer algo mais denso por detrás de tudo isso ao invés de simplesmente ficar gritando Satã, Satã, Satã todo tempo. Letras ruins podem arruinar uma banda boa para mim e como cantor eu preciso de algo genuíno quando eu canto. Então afirmo que as letras são algo bem pessoal, nós queremos oferecer músicas que você possa ouvir muitas e muitas vezes e ainda assim descobrir coisas novas e o mesmo é verdadeiro para as letras. Meu imaginário pode ser muito complex as vezes, mas tem uma grande recompense para aqueles que aceitam perder um pouco do seu tempo entrando em meu smundos. Em ambos, musicalmente e literariamente, nós queremos evitar soar como uma tipica banda de Black Metal, sair aquele clichê. Eu acredito que as pessoas percebem isso, mesmo que eles não vão a fundo quando ouvem o que fazemos.

GroundCast – Como surgiu o convite para se tornar o vocalista da banda?

Morean:Sou amigo de V Santura e Seraph há anos e nós já tocamos juntos no Noneuclid desde 2004. Então quando eles disseram que precisavam de um vocalista eu me ofereci para tentar, metade apenas por diversão e antes de eu perceber eu era um vocalista de Black Metal . Eu me surpreendi um pouco, mas imediatamente me senti confortável com o desafio.

GroundCast – O que podemos esperar da banda nos próximos anos?

Morean: A qualquer momento um novo álbum nascerá, mas isso pode levar algum tempo. Nós tocaremos em alguns festivais e tentaremos ir para países que nunca fomos, desde que percebemos que temos fãs por todo mundo. Felizmente e quem sabe um desses caminhos nos leve até a América do Sul!

GroundCast – Agora voltamos um pouco no tempo, para você como vocalista, como se sente em cantar as músicas antigas da banda (onde as letras originalmente foram feitas por outra pessoa)?

Morean: Nem sempre é fácil, uma vez que a voz e as letras são interpretações pessoais. Isto sempre depende de qual música. No caso do álbum Séance eu diria que é muito fácil, eu amo esse álbum e acredito que é o melhor trabalho de Azathoth. Já no álbum Stab Wounds as coisas podem se complicar, uma vez que as letras são uma representação pessoal dele sobre vida e morta – que eu não concordo necessariamente – eu estava em um lugar totalmente diferente do dele quando ele escreveu. Ao vivo eu tento fazer o meu melhor e sempre é divertido interpretar essas músicas.

GroundCast – Estamos na era da internet, pessoas fazem download das coisas facilmente (principalmente música). O que você pensa sobre isso?

Morean: Como um amante da música eu sou totalmente a favor do YouTube, pois ele dá acesso a música para muitas pessoas, mas o que precisa acontecer urgentemente é algum sistema que pague os artistas de forma decente. Os fãs de Black Metal são muito fiéis e por isso as vendas de álbuns desse gênero não caíram drasticamente como dos outros estilos. Mas entendam, hoje em dia é praticamente impossível ter algum retorno com um álbum após meses de trabalho. Um álbum tende a ser uma péssima idéia financeiramente falando e muitas vezes não temos retorno vindo da internet (e por exemplo, o que o YouTube, Spotify e etc pagam aos artistas é um insulto) e qualquer dinheiro feito com a venda física é praticamente todo pego pelas gravadoras. Acima de tudo isso, é um gasto muito grande (muitas vezes) trazer uma banda de metal para tocar. Nós por exemplo, estamos espalhados em 3 países diferentes, então é um esforço muito grande para colocar a banda inteira junta e por causa disso – infelizmente – muitos músicos de metal acabam terminando como hobbistas. Eu estou pensando em algum sistema que pague aos artistas (escritores, criadores de software, ilustradores, produtores e etc) – qualquer um que de alguma forma perca dinheiro, pois seu trabalho é digital e facilmente copiável – algo que possa dar dinheiro suficiente para que eles se mantenham como em qualquer outra profissão. Digamos algo que pague X por clique, poderia ser um começo. As pessoas tem que entender que não se pode ter as coisas por absolutamente nada.

GroundCast – Gostaria de agradecer por responder nossas perguntas, Dark Fortress é uma banda extraordinária, agora o espeço é seu para dizer alguma coisa para nossos leitores.

Morean: Um muito obrigado a vocês pela oportunidade. Nós temos um excelente Feedback vindo do Brasil e seríamos muito felizes se pudéssemos tocar ai um dia. Fãs da América do Sul são lendários entre as bandas que tocam aí. A big horns up to you all!

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