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ENTREVISTA: Piah Mater

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Vindo do Rio de Janeiro, Piah Mater mostra que o Brasil tem música boa e de qualidade. A banda que tem como integrantes Luiz Felipe Netto e Igor Meira esbanja talento, todas as músicas são excelentes (apesar da minha favorita ser Young Rust) o CD “Memories of Inexistence” mostra o potencial da dupla. Confiram a entrevista que a banda nos concedeu.

11133820_688059481320612_3012762222700581252_nGroundCast – Para começar, conte-nos como surgiu a banda.

Em meados de 2010, Igor e eu decidimos dar voz aos nossos instintos criativos e, a partir da curiosidade de como seria o subproduto de uma colaboração artística entre nós dois, Piah Mater foi despretensiosamente criada. Esse tipo de pergunta é costumeiramente respondidada com uma série de mudanças de line-up devidamente temperada com dramas e intrigas, mas no nosso caso a formação da banda se manteve inalterada desde a sua concepção. Uma história sem muitos plot twists, apenas dois caras feios tocando metal, nada mais.

 

GroundCast – Quais são as suas influências?

Influências estão constantemente sendo reavaliadas e renovadas. A ideia por trás desse coletivo não é prestar homenagem a algo que nos marcou enquanto crescíamos. Por estarmos sempre abertos a novas descobertas – musicais, cinematográficas, visuais – esses fatores externos acabando por nos guiar em direções por vezes desconhecidas, mas que, sem esse desafio, a banda não se legitimaria como válvula artística para nós. Enslaved, Ihsahn, Katatonia são nomes que vêm a mente…

GroundCast – Fale um pouco do álbum Memories of Inexistence.

Bom, no momento em que a gente tem essa conversa, o disco já está disponibilizado online há cerca de 4 meses. Desde então a recepção tem sido surpreendentemente favorável. Quem ouviu e se propôs a escrever sobre ele relatou impressões majoritariamente positivas e isso tem nos enobrecido bastante. O álbum foi composto e gravado entre abril e dezembro de 2012, então obviamente quando eu o escuto hoje eu percebo os pontos que poderiam ter saído melhores, mas acho que isso não é peculiar a mim – todos nós caímos no erro de olhar o passado com os olhos do presente. Em linhas gerais, eu ainda sinto orgulho do que a gente criou e quero que cada vez mais pessoas tenham contato com o disco e, sempre que possível, ouvir delas as suas considerações.

GroundCast – O que significa Piah Mater? Qual a essência por trás do nome?

Em retrospecto, a ideia por trás da escolha do nome foi influenciada principalmente pela forma como ele soa, não tanto por um significado literal. É difícil de articular com palavras, mas foi um daqueles momentos em que os envolvidos se entreolharam e disseram “É isso!”. Qualquer um que já experienciou esse tipo de momento epifânico em conjunto sabe do que eu to falando.

GroundCast – A banda possuí dois membros, vocês pretendem acrescentar membros e começar a fazer shows?

Agregar novos músicos é algo que está nos planos, de fato. Agora, começar a fazer shows  é algo que depende mais do interesse dos contratantes e do público do que dos novos membros (risos).

GroundCast – Quais são os planos futuros da banda?

Bom, de imediato temos o lançamento físico do Memories of Inexistence, ainda sem data prevista, mas em muito breve anunciaremos algo a esse respeito. Temos um segundo ábum inteiramente escrito e atualmente em pré-produção – que é o estágio limbo entre o imaginário (composto) e o real (gravado). Temos um calendário interno o qual pretendemos seguir com diligência para alcançarmos um lançamento não muito distante.

GroundCast – Vocês disponibilizaram os álbum de estreia online via BandCamp. Como vocês veem esse momento da música? Muitas bandas reclamam que não se vende CDs como antes e que a internet faz com que muitas bandas morram. O que vocês pensam a respeito?

O erro que algumas pessoas cometem ao criticar a ascensão da internet como principal meio de difusão de cultura global é enxergá-la como sendo um movimento desassociado de outros adventos que se fizeram presentes nessa última década a partir dela. Pense em 1995 – quais alternativas teria uma banda como a nossa para gravar, mixar, prensar e lançar um disco autoral de death metal experimental no Rio de Janeiro e atingir pessoas de diferentes partes do mundo? Sem uma gravadora financiando o projeto, isso custaria uma fortuna pra ser feito, principalmente levando em consideração os padrões de qualidade que nos regem como músicos. A realidade é que, há 20 anos, nós não teríamos como concretizar nossas ambições mais ínfimas. A internet nos dá essa possibilidade, assim como dá a outros milhões de produtores independentes. A questão é como fazer a sua obra chegar aos ouvidos daqueles que saberão apreciá-la e como fazer com que eles paguem por ela, para pelo menos gerar fluxo de caixa para financiar um próximo projeto. Ninguém mais no meio rock/metal realisticamente almeja se tornar rico fazendo música autoral, os sonhos agora são outros. A maioria da nossa geração ficaria mais do que satisfeita em receber apenas o suficiente para trazer o próximo projeto à vida.

GroundCast – Vocês estão envolvidos em outros projetos musicais?

Eu estou atualmente produzindo uma banda de Doom/ Post Metal niteroiense, com álbum planejado para ser lançado esse ano. Igor tem se dedicado a seu projeto One Man Band de Death Metal Old School na linha de Entombed, Cannibal Corpse, Obituary etc… também com um EP pra sair em breve.

GroundCast – Como vocês veem a “cena” metal atual do Brasil?

Hoje em dia parece que todo mundo tem algo a dizer sobre “A Cena” – o que ela precisa, o que ela tem de excesso. Prefiro me abster da prosa e deixar sob as palavras do presidente Kennedy : “Não pergunte o que a cena pode fazer por você, mas o que você pode fazer pela cena”.

GroundCast – Obrigado por concederem a entrevista, agora o espaço é de vocês para mandarem um recado para a galera.

Agradeço a você pelo espaço e pelo convite e também a todos que tem demonstrado interesse e apoiado o que a gente faz.

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