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ENTREVISTA: Slechtvalk

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Slechtvalk é uma banda veterana da Holanda. Começando sua carreira em 2000 com temas cristões, mas não deixe o preconceito te afastar desta excelente banda. Falando atualmente de fantasia e batalhas a banda tem uma evolução constante e é uma boa pedida para os fãs de Melodic Black Metal/Viking Metal. Conversamos um pouco com Shamgar, fundador da banda, confira essa conversa bem legal logo abaixo.

GroundCast: Pode nos contar um pouco da história da banda?

Shamgar: Claro! Após algumas tentativas de montar uma banda nos anos 90 eu decidi gravar tudo sozinho e programar todos os instrumentos que eu não conseguia tocar bem (bateria e teclado). Em 1999 eu gravei algumas músicas e estava procurando um jeito de lançar de alguma forma (demo ou cassete), mas quando eu falei com algumas pessoas elas me aconselharam a lançar em CD. Uma dessas pessoas foi Raffi Traipman da Fear Dark, que tinha lançado alguns CDs antes. Ele me ofereceu um acordo para a gravação e durante o ano de 2000 eu terminei as músicas do que seria o Falconry e mixamos em um estúdio. Com a atenção que consegui com esse primeiro lançamento alguns músicos me contataram dizendo que queriam fazer parte da banda.

A banda então lançou mais dois CDs e um DVD com a Fear Dark e como Slechtvalk tinha se tornado uma banda começamos a tocar ao vivo e muitos shows a gravadora nos ajudou a conseguir. Após a Fear Dark encerrar suas atividades a quantidade de shows diminuiu drasticamente.
Felizmente encontramos uma gravadora que se interessou em lançar o quarto álbum, A Forlorn Throne, em 2010 e durante esse tempo contratamos uma agência de booking, mas não deu muito certo, pois em dois anos a agência apenas conseguiu alguns shows para nós. Em 2012 decidimos começar a compor para um novo álbum, tentamos primeiro encontrar outra gravadora, mas infelizmente isso não acontece e em 2014 realizamos uma campanha de Crowdfunding que foi consideravelmente bem-sucedida e nos possibilitou gravar nosso último álbum “Where Wandering Shadows and Mists Collide”. Infelizmente sem o apoio de uma gravadora tivemos que fazer tudo nós mesmo e acabamos nos atrapalhando com todos os prazos. Foi então que em 2016 lançamos o álbum de forma independente por não termos conseguido nenhuma gravadora.

GroundCast: Quais são as suas influências?

S: Quando criança eu aprendi a tocar violão clássico e como adolescente eu ouvia de tudo, de Nirvana até Metallica até então descobrir o Black e Death metal. Me inspiro em bandas como Dimmu Borgir, Dark Funeral, Dawn e Immortal. Eu também comecei a ouvir Pagan/Folk metal, que foram a grande influência para “At the Dawn of War” e recentemente eu escuto mais Melodic Death Metal ou Blackned Death Metal. Grimbold (Bateria) e Seraph (Guitarra) tocaram juntos em uma banda de Thrash Metal nos anos 90. Grimbold é também um grande fã de Opeth (até eles começarem a querer soar como rock anos 70) e hoje em dia ele ouve bastante bandas como Swallow the Sun e Draconian. Seraph ouve mais ou menos a mesma coisa que eu escuto agora. Premnath (Teclado) escuta de tudo, de Black metal até Gothic metal e Dagor (Baixo) escuta mais Death/Black metal, mas Dream Theater é uma de suas bandas favoritas.

GroundCast: Pesquisando um pouco eu vi que a banda possuí temáticas cristãs. Gostaria de saber se a banda já teve problemas por essa posição – o que não é difícil de acontecer – e se teve, quais problemas foram?

S: O primeiro álbum “Fanconry” foi explicitamente cristão, e isso se deve ao fato de eu ser cristão e naquela época eu achava que as únicas letras que um cristão poderia escrever deveriam ser aquelas que representam suas crenças. Enquanto muitos cristões já até pregaram em palco eu nunca senti essa vontade e as letras explicitas de black/white metal começaram a me incomodar. Isso se deve ao fato de eu não concordar 100% com todos os aspectos teológicos que escrevi em “Falconry”. Decidi que deveria mudar o rumo da banda e passei a escrever algo mais ligado a fantasia e batalhas, mas de uma forma que isso me inspiraria como cristão (o conceito de “batalha espiritual” era muito vivo em mim antigamente) e isso não desagradaria fãs não cristãos. Com o passar dos anos eu conheci muitas pessoas que tiveram experiências negativas com cristãos que “sabiam tudo” e queriam dizer a eles o que fazer e o que não fazer, claro que eu não queria isso. Foi então que decidi a escrever mais sobre meus sentimentos e como eu me posicionava perante esses sentimentos (como depressão e vicio), problemas que são universais independente da sua crença. Alguém com os mesmo problemas poderia se identificar com isso e talvez eu até poderia ajudar essas pessoas de alguma forma.

No começo tivemos problemas com os black metalheads, eles nos odiavam apenas por sermos cristãos, mas com o passar dos anos esse ódio vem diminuindo, mas mesmo hoje em dia ainda temos alguns problemas com isso. Pessoas não levam nossa música a sério ou escrevem reviews negativos apenas por causa de nossa fé e até tivemos casos de pessoas que escreveram para festivais, pois eles tinham nos chamado para ser parte do cast de bands.

GroundCast: A banda existe desde 2000 com cinco CDs lançados, sendo o ultimo “Where Wandering Shadows and Mists Collide”. Como você vê a evolução da banda com o passar dos anos?

Shamgar: Os dois primeiros álbuns são considerados bons álbuns, mas eles não alcançaram muitas coisas, pois não tinham as grandes produções das bandas grandes. O terceiro álbum teve uma produção um pouco melhor, mas ainda assim não chegávamos nem perto de bandas como Immortal ou Dark Funeral por exemplo. Nós queríamos noss álbum com uma qualidade excelente felizmente encontramos a Whirlwind Records que queria investir em “A Forlorn Throne” e com isso pudemos gravar com pessoas que trabalharam com “Opeth”, “Katatonia” e “Amon Amarth”. Também descobrimos que a preparação antes de entrar em estúdio é muito importante e com isso “A Forlorn Throne” se tornou um excelente álbum, mas ainda possuía muitas coisas que queríamos fazer, mas não tínhamos o tempo necessário. Essa é uma das razões do atraso do lançamento de “Where Wandering Shadows and Mists Collide”.

Essa foi uma evolução na forma de como produzimos nossos álbuns. Nos primeiros anos de banda as músicas eram mais diretas, algo mais puxado pro black metal sinfônico. Grimbold (e o irmão dele Seraph que entrou na banda em 2005) acharam que a banda estava direta de mais. Ambos sentiam falta de algo mais técnico como “Opeth”, “Immortal” ou até mesmo “Dimmu Borgir” e acreditaram que ter uma parte de guitarra um pouco mais trabalhada tornaria as músicas mais interessantes. Foram horas e mais horas aprendendo e evoluindo isso e o resultado vocês conferem em nossos dois últimos lançamentos.

GroundCast: Exceto pelos dois primeiros lançamentos – Fanconry e The War that Plagues the Land – a banda precisou de longos períodos para lançar algo inédito. At the Dawn of War é de 2005, A Forlorn Throne de 2010 e em 2016 Where Wandering Shadows and Mists Collide. Por que a banda precisou de tanto tempo para lançar novos trabalhos?

S: No começo nós não tínhamos uma família para nos preocuparmos e eu nem mesmo tinha um emprego com carga horária completa. Tivemos muita sorte que a Fear Dark Records nos ajudou muito nesse período e tínhamos muito mais tempo para compor e criar algo novo. Com o tempo fomos casando, tendo filhos e com empregos que precisam mais de nós e por conta disso o processo criativo necessita de muito mais tempo. Quando ficamos sem gravadora tivemos que fazer tudo sozinhos. Também queríamos fazer um bom álbum, algo melhor que o “A Forlorn Throne” e que ao mesmo tempo soasse diferente e após a excelente campanha de crowdfunding nós achávamos que poderíamos lançar algo novo em 2015. Infelizmente colocamos metas muito grandes para nós mesmos e por conta disso muitos atrasos aconteceram. Na primavera de 2016 decidimos tentar achar uma gravadora ao invés de lançar o disco nós mesmos, mas não tivemos nenhuma resposta positiva. Juntando tudo isso mais o tempo de produzir o disco e distribuir já era praticamente o fim de 2016.

GroundCast: Existe uma cena para metal cristão?

S: Não temos muitas bandas cristãs na Holanda. As vezes temos um show que é mais orientado para esse tema, mas nem sempre compareço (apenas se realmente gosto das bandas)

GroundCast: Estamos na era da internet, podemos praticamente encontrar quase tudo para download. Qual a sua opinião sobre esse fator e como afeta a cena musical que você se encontra?

S: Podemos facilmente dizer o quando os downloads impactaram conosco. Nosso álbum “At the Dawn of War” de 2005 e o DVD que foi lançando junto, se não me engano foram vendidas algumas milhares de cópias. Já o CD “A Forlorn Throne” teve um desempenho muito inferior em vendas em 2010 mesmo com o álbum tendo um desempenho em reviews muito superior e atenção internacional da mídia especializada. Ainda é cedo para falar de nosso novo álbum, mas não esperamos que vendam muito mais (caso venda mais) que o disco anterior.
Também percebemos uma atitude diferente das gravadoras, no começo dos anos 2000, muitas gravadoras iriam investir em bandas e produções de discos, mas hoje em dia eles querem que as bandas gravem por conta e se o álbum vender ai sim a gravadora investe algum dinheiro. Temos uma base de fãs muito leal, então nós somos sortudos o suficiente para podermos investir em um novo álbum nós mesmos, mas temos consciência de que bandas com 3 ou 4 vezes mais likes do que nós no facebook se esforçam para vender 1000 cópias.

Com o governo cortando o investimento em cultura/música tem tornado cada vez mais difícil para uma banda fazer uma turnê. Minha opinião é que se você gosta de uma banda e quer que ela continue a fazer música, você deveria apoiar essa banda, comprar o merchandising, CDs, ir aos shows (claro que apenas se você tiver o dinheiro para isso), pois gravar CDs pode custar muito caro e temos o fator família que mata muitas bandas hoje em dia, pois eles tem que escolher entre gravar um novo disco ou comprar roupas, investir em educação ou dar uma nova bicicleta para seus filhos e todos nós sabemos que qualquer pessoa descente daria preferência aos flhos.

Se você não ganha muito bem, hoje em dia existem muitas maneiras legais e baratas de se ouvir música (como o Spotify). Então acredito que hoje em dia só ouve música ilegalmente quem quer.

GroundCast: Vocês possuem algum outro projeto ou o Slechtvalk é a única prioridade?

S: Slechtvalk é minha prioridade musical, eu tenho algumas idéias de projetos que quero lançar algum dia. Em breve estarei mudando de trabalho onde eu trabalharei 20% a menos sem receber 20% a menos e com isso poderia agilizar muitas coisas e usar o tempo para fazer outros projetos.

GroundCast: Quais os planos da banda para o future?

S: Por termos demorado 6 anos entre os lançamentos de “A Forlorn Throne” e “Where Wandering Shadows and Mists Collide”, já possuímos material suficiente para um novo álbum. Esperamos ter um retorno da venda dos álbuns e investir em um novo CD ou achar um label que queira investor em nós (o que faz tudo muito mais rápido). Seis anos foi um tempo bastante longo.

GroundCast: O que o nome “Slechtvalk” representa para a banda e como ele faz conexão com os discos?

S: “Slechtvalk” significa “Falcão Peregrino” em holandês. Eu escolhi esse nome, pois eu queria algo original, muitas bandas usam nomes em inglês e de certa forma parece que quase tudo já foi ou é utilizado por alguém. Normalmente faço alguma referência com o falcão nas letras (pelo menos uma por álbum), o falcão também pode aparecer de alguma forma na capa e no nosso novo logo feito por Raymond Wanland você pode perceber que tem um falcão atrás da palavra Slechvalk.

GroundCast: Obrigado pela entrevista, agora o espaço é seu para dizer algo aos nossos leitores.

S: Gostaríamos de agradecer todos que nos apoiaram durante todos esses anos, sem o apoio dos nossos fãs não poderíamos ter gravado o “Where Wandering Shadows and Mists Collide”. Se você estiver lendo isso e não tiver nos escutado ainda, por favor, estamos disponíveis no Spotify e se realmente gostar de nosso trabalho sinta-se a vontade de visitar nosso webshop: www.slechtvalkmerch.com

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