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ENTREVISTA The Fall of Every Season

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SliderPortThe Fall of Every Season é uma one man band de Doom Metal norueguesa, criada e liderada por Marius Strand. Com um ótimo álbum em 2007 (From Below), Marius dá um passo a frente como músico lançando o excelente Amends. The Fall of Every Season tem muita emoção, atmosferas densas e carisma, é uma boa pedida para os amantes de Doom Metal.

GroundCast Olá Marius, primeiramente gostaria de te agradecer por responder. Conheci seu trabalho em 2012, quando fui a Noruega em uma loja de CDs em Oslo, não preciso dizer que adorei e estou muito feliz por ter conseguido comprar o seu primeiro álbum, pois aqui é praticamente impossível de achar. Para começar, conte-nos como começou sua carreira musical e da onde veio a ideia de criar a The Fall of Every Season?

wpid-Photo-21032013-2206.jpgMarius: É realmente triste saber o quão difícil é achar algumas coisas no Brasil, mas me deixa contente saber que você conseguiu adquirir o CD de qualquer forma! Eu comecei minha vida musical como guitarrista, onde também escrevi algumas músicas. Foi tudo muito experimental, mas ainda assim um importante começo, pois consegui adquirir o conhecimento básico sobre musica e então começar a trabalhar no que hoje é conhecido como The Fall of Every Season. Eu percebi que poderia fazer meu próprio projeto musical, desde que as coisas fossem de certa forma simples. Pensando assim comecei a escrever músicas e me focar bastante nisso. Também podem perceber que eu não sou um artista que faz turns, pois minha ênfase está em escrever músicas.

GroundCast – Nos fale de suas influências.

M: O ponto chave é a melancholia, pode ser tanto nas músicas, filmes, imagens ou em momentos vividos. Musicalmente sou influenciado por bandas de doom, como Opeth antigo e também por alguns grupos de post rock como Sigur Rós e Mogwai, e todo o conceito vem de bandas antigas de rock progressivo.

GroundCast – Qual o motive de voê tocar doom Metal?

M: Bom, doom metal é algo muito específico, eu diria, assim como mencionei antes, a melancolia sempre me inspira e posso dizer é onde mais encontro facilidade de encontrar o que quero na hora de fazer músicas. O jeito que é concebido torna a transposição de sentimentos fácil de ser sentida, pois temos riffs lentos e uma atmosfera que acompanha bem isso. É uma grande plataforma de contraste. Coloco também muitos elementos acústicos, claro que não é apenas isto que faço e posso dizer que não sou totalmente doom metal, acredito ter dado um passo a frente comparando com a expressão “doom” do primeiro álbum, mas a ênfase na tristeza ainda é muito presente.

GroundCast – “From Below” tem uma atmosfera muito densa e músicas como “Sisphean” e “Escape of the Dove” (para mim aswpid-Photo-21032013-2203.jpg melhores músicas do álbum). Como foi criar toda essa atmosfera e conceito para o álbum?

M: A atmosfera emocional veio por partes, levando em conta que este é um processo único e meu, posso lhe afirmar que sou uma pessoa bem triste e eu sempre tento criar e gravar coisas que soam genuínas. Música como esta precisa de humanidade e não deve soar tão polida na minha opinião e posso garantir que “From Below” não soa desse jeito. Liricalmente, o álbum conta a estória de uma família disfuncional que lida com temas como abuso e perda. As músicas foram escritas antes, cinco músicas formando uma unidade e depois disso comecei a pensar na estória que contaria para preencher essa atmosfera que tinha criado, enquanto ainda criava possilidades de outras interpretações.

GroundCast – Como você descreveria a cena “metal”?

M: Posso dizer que a cena metal está muito mais viva esses dias, principalmente quando eu penso em bandas pouco conhecidas. O jeito como a música se espalha hoje em dia e você pode encontrar verdadeiras jóias. A maneira como se mistura os estilos hoje em dia faz as coisas ficarem realmente interessantes. Quando penso em Doom Metal, isto é algo que é até difícil de dizer, exceto por algumas bandas que ainda fazem música da mesma forma que antigamente (não que isto seja ruim, pois a composição é que diz tudo), me parece que esse gênero tem chamado mais a atenção das pessoas, o que é marailhoso.

GroundCast – A pergunta de ouro. O que você pensa sobre o MP3? Facilmente podemos baixar qualquer CD ou DVDs e muitos desses produtos são carissímos para certas realidades (como o caso do Brasil) ou simplesmente não temos acesso a esse material.

M: Eu realmente entendo a realidade de hoje. Um CD não vai ganhar nunca de um download (eu particularmente gusto de ter as cópias fisícas das bandas que gusto, posso ver o encarte e tudo mais). Mas como posso ir contra isso? A internet é algo que fez a The Fall of Every Season ser conhecida e a distribuição online por streaming parece ao meu ver o futuro. Espero que ainda existam fãs que comprem as cópias fisícas, pois elas ainda possuem uma certa magia.

GroundCast – Você está envolvido em algum projeto?

M: Nada sério ainda, mas estou em um projeto onde fui primeiramente convidado como baterista, mas não escrevo nenhuma música. Também possuo alguns outros projetos nos quais sou a mente criativa e eles serão muito menos metal do que vocês estão acostumados a ouvir de mim.

GroundCast – Recentemente você lançou o álbum “Amends”, posso dizer que é um grande candidato para álbum do ano. Por qual motivo você demorou tanto tempo para lançar?

M: Eu realmente aprecio suas palavras. A maioria das músicas foi feita há muito tempo. Gastei muito tempo escrevendo as músicas e gravando os vocals, mas para mim elas precisavam de muita mais atenção do que o álbum “From Below” e isto realmente tomou muito do meu tempo para que eu conseguisse alcançar o próximo passo como músico.. Ao mesmo tempo eu estava procurando uma distribuidora melhor e este processo levou mais tempo do que imaginava. O artwork também demorou muito para chegar em algo que me agradasse por complete e para finalizar, retrabalhei partes acústicas do álbum e contei com a participação de Jörg Uken do Soundlodge Studios na bateria.

GroundCast – O novo álbum é excelente, como foi o processo de composição dele?

M: Obrigado! Fico muito contente com isto. No começo eu me preocupei muito mais com a composição do que com a técnica propriamente dita, então fui produzindo as camadas das músicas gradativamente. Os contrastes das músicas foi aparecendo e fui trabalhando nisso, deixando as partes acústicas e melódicas mais importantes do que as estruturas convencionais. As músicas são compridas e tentei intercalar de forma coesa o violão com a guitarra e também dei uma pitada de algo cinematográfico. Por fim, escrevi as letras e gravei os vocais.

wpid-Photo-21032013-2205.jpgGroundCast – Eu li grandes resenhas sobre o novo álbum, você esperava todo esse feedback positivo?

M: Tenho que admitir que Amends é um álbum bastante consistente, mas eu não esperava que as pessoas gostassem tanto dele. Após gastar tanto tempo nas músicas e ter todo o trabalho para deixar todas da melhor forma possível, é realmente gratificante todas essas resenhas. Espero convencer cada vez mais as pessoas a ouvirem minha música.

GroundCast – Eu sei que é um pouco cedo para falar sobre isso, mas quais são os planos futuros para a banda?

M: Com certeza é bem cedo para isso, mas já estou trabalhando em coisas novas. Tenho o básico de material novo e espero profundamente que isso não demore seis anos apara ser lançado. Também espero fazer alguns shows em um futuro não muito distante. Ambas essas coisas ainda estão engatinhando, mas isso deixa a The Fall of Every Season mais emocionante. Para fazer os shows, primeiro preciso encontrar as pessoas para tocar minhas músicas e ai começarmos ensaiar para os shows. Inicialmente farei alguns shows aqui e ali, apenas para ver como a coisa fluí.

GroundCast – Muito obrigado pela entrevista Marius, agora este espaço é seu para falar algo para nossos leitores.

M: Muito obrigado pelo seu interesse e pela entrevista! Escutem Amends, caso vocês ainda não o tenham feito, e claro, divulguem caso vocês gostem!

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