O seu blog de música underground.

Entre­vista Nunhood vs. Artaud

Sarru Mass Nunhood!

Pri­mei­ra­mente eu gos­ta­ria de agra­de­cer a todos vocês por seu tempo e seu inte­resse no Mer­ci­ful Nuns. Foi um pra­zer fazer uma entre­vista dire­ta­mente para vocês.

Vejo vocês logo,
Artaud

O Mer­ci­ful Nuns lan­çou seu novo álbum, “Hypo­geum II”, no iní­cio do ano. Você está satis­feito com ele?
Artaud: Na ver­dade, eu estou muito feliz com o álbum e com a rea­ção posi­tiva com  que este tra­ba­lho inco­mum foi rece­bido. Lib.I o álbum de estréia foi con­ce­bido por uma maneira de fazer música que eu não tinha ouvido falar em 20 anos. Lem­bra dos dias em que des­co­bri minha pai­xão pela música. Esta abor­da­gem natu­ral­mente reduz o fator de indi­vi­du­a­li­dade, por­tanto, a  neces­si­dade de desen­vol­ver ainda mais os aspec­tos musi­cais do seu suces­sor. Mas como desen­vol­ver algo dife­rente daquilo que fora feito pelas gera­ções dos gran­des nomes do estilo gótico, con­si­de­ra­dos per­fei­tos e quase como um dogma? Encon­trar e tri­lhar um cami­nho que dis­tante deste não seria fácil, pen­sei, mas era ape­nas isso. Pode pare­cer um pouco arro­gante, mas no final tudo o que eu tinha que fazer era con­cen­trar em mim mesmo, meus sen­ti­men­tos e minhas per­cep­ções do álbum de estreia Lib.I, jun­ta­mente com refle­xões sobre a pas­sa­gem do tempo desde o iní­cio da minha car­reira e dei­xar que tudo flua puro e claro. Isto é como Hypo­geum II foi concebido.

O que sig­ni­fica o título “Hypo­geum”?
Artaud: É uma espé­cie de tem­plo sub­ter­râ­neo que pode ser encon­trado em algu­mas cul­tu­ras antigas.

A música e toda a aura de Mer­ci­ful Nuns parece ser influ­en­ci­ada pelo The­lema, magia de Aleis­ter Cro­wley, ocul­tismo e maço­na­ria. Mesmo os fãs clu­bes são cha­ma­dos de “lod­ges” e seus fãs de “Nunhood”. É por­que você gosta disso ou tam­bém é ativo em todas estas coi­sas?
Artaud: Obvi­a­mente eu sou fas­ci­nado por essas ques­tões. Mas não sou um ocul­tista de forma alguma. O obje­tivo da NUNHOOD é criar uma comu­ni­dade e, por­tanto, se esfor­çar para esta­be­le­cer mais e mais lod­ges nos paí­ses envol­vi­dos no gótico. Eu vou estar em estreito con­tato com estas lojas regu­lar­mente e eu vou fazer algo espe­cial em cada um dos seus paí­ses. Esta pode ser uma entre­vista ou tal­vez uma reu­nião conosco. No futuro e con­forme o tempo me per­mita, intro­du­zi­rei uma bibli­o­teca vir­tual em www.grandlodge.de. Aqui eu for­neço infor­ma­ções sobre o assunto de minhas car­tas. Ape­nas os mem­bros da NUNHOOD serão con­vi­da­dos a entrar no site. É uma ini­ci­a­ção, de certo modo. Res­pon­dendo a sua per­gunta sobre uma pos­sí­vel rela­ção com a maço­na­ria: existe uma cone­xão, mas não é muito impor­tante, meu prin­ci­pal inte­resse nela se limita a con­cei­tos visu­ais e códi­gos, não mais do que isso.

Na pri­meira década do Gar­den of Delight, a espi­ri­tu­a­li­dade da Babilô­nia e mitos sumé­rios eram usa­dos como refe­rên­cia cons­tante. No Mer­ci­ful Nuns parece exis­tir uma con­ti­nu­a­ção deste tra­ba­lho. É isto mesmo?
Artaud: Esta sem­pre foi uma parte inte­grante de mim e não tem nada a ver com qual­quer incor­po­ra­ção ou a trans­for­ma­ção dos meus pro­je­tos musicais.

O que o levou a explo­rar as cul­tu­ras anti­gas e o oculto?
Artaud: Minha pai­xão por assun­tos espi­ri­tu­ais e da reli­gião de qual­quer tipo é base­ado em uma ques­tão fun­da­men­tal: De onde vie­mos? Assim que entra­mos e apro­fun­da­mos nela e nos liber­ta­mos da ideia de que tudo na Terra acon­tece por coin­ci­dên­cia, é quando nós, inva­ri­a­vel­mente, che­ga­mos à con­clu­são de que todas as for­mas de reli­gião e fé em geral, têm um deno­mi­na­dor comum. Esta fonte comum que eu chamo de “Ur-Mythos” — mito arque­tí­pico em Inglês — é a fé ori­gi­nal e into­cada com base no conhe­ci­mento ver­da­deiro. Os para­le­los entre as pri­mei­ras civi­li­za­ções da antiga Sumé­ria e Egito, as cul­tu­ras do Neo­lí­tico, os maias etc, são con­vin­cen­tes e atra­en­tes, tanto que a pola­ri­za­ção em uma reli­gião local, acho que é incom­pre­en­sí­vel. Para mim, o oculto nem sequer entra na equa­ção, pois o ocul­tismo é rea­li­zado exclu­si­va­mente na som­bra do cris­ti­a­nismo. É de fato uma com­pre­en­são cristã do mal e eu cate­go­ri­ca­mente rejeito o Cris­ti­a­nismo como uma opção viá­vel no mundo, pois pode­ria nunca parar em sua inter­pre­ta­ção do mal. A mai­o­ria das reli­giões mun­di­ais são base­a­das na inter­pre­ta­ção da pala­vra escrita e aqui esta­mos nós com o defeito car­deal! Inter­pre­ta­ção é uma fer­ra­menta do povo para o povo. Por um lado, pre­tende ser sim­ples e fácil de enten­der, mas pode­roso e inti­mi­dante por outro. O mito arque­tí­pico, no entanto, é com­plexo e, por­tanto, difí­cil de enten­der. Neste sen­tido, a ver­dade se mani­festa inti­ma­mente ligada a teo­rias, len­das e tra­di­ções da época ante­di­lu­vi­ana e em para­lelo com mui­tas civi­li­za­ções anti­gas. Por exem­plo, é incon­ce­bí­vel que Deus pode­ria ter sido um ante­di­lu­vi­ano astro­nauta? Um via­jante, um mis­si­o­ná­rio, um ser humano muito avan­çado em rela­ção a nós? Em quase todas as tra­di­ções reli­gi­o­sas e cul­tu­rais, encon­tra­mos evi­dên­cias con­vin­cen­tes de visi­ta­ção humana como “pro­fes­so­res” ou “deu­ses.” Como disse, uma teo­ria… mas será que alguém real­mente acre­dita seri­a­mente que ainda esta­mos sozi­nhos na vas­ti­dão do cosmos?

De acordo com esses mitos, os Annu­naki são os habi­tan­tes de Nibiru, que vie­ram à Terra — como des­crito em mui­tas cul­tu­ras anti­gas. Para 2012 é espe­rado o retorno de Nibiru. Você acre­dita?
Artaud: Não. É claro que o povo cré­dulo pode ser con­fun­dido por even­tos atu­ais. Ver­dade, segundo a tra­di­ção sumé­ria, as órbi­tas dos res­pec­ti­vos Nibiru e a Terra devem cru­zar ou pelo menos pode ser uma apro­xi­ma­ção. O aumento da inten­si­dade e número de ter­re­mo­tos — como pro­fe­ti­zado pelos maias — são igual­mente evi­den­tes. Mas eu acho que a ênfase é colo­cada sobre a inter­pre­ta­ção do calen­dá­rio maia, em espe­cial, a par­tir daí a con­clu­são desta. Afi­nal, há uma pre­sun­ção, mas sim uma data espe­cí­fica para todos os cená­rios apo­ca­líp­ti­cos que se possa ima­gi­nar, o que de repente o Arma­ged­don pro­ver­bial é suposto ter lugar pre­ci­sa­mente nesta data em par­ti­cu­lar? Eu não posso con­ci­liar essas ideias. As inter­se­ções dos dois calen­dá­rios maias — o ritual e a con­ta­gem de tempo, simi­lar ao nosso calen­dá­rio juli­ano — cruza a cada 52 anos. De acordo com a men­ta­li­dade do mundo maia ter­mina a cada 52 anos. Todas as estru­tu­ras do tem­plo foram des­truí­das e recons­truí­das no dia seguinte, como resul­tado da per­cep­ção de que o mundo ainda estava lá. Era ape­nas uma parte inte­grante da cul­tura maia para cele­brar o “Fim do Mundo” e come­çar um novo ciclo. Dito isto, é, no entanto, um fato que a longa con­ta­gem ter­mina em 21/12/2012 e começa do zero nova­mente, pela pri­meira vez em 26 mil anos, como é ver­dade que, nesse dia, a pri­meira vez em 26 mil anos, nossa estrela, o Sol, vem ape­nas para o cen­tro da nossa galá­xia, a Via Lác­tea. Visto de uma pers­pec­tiva astro­ló­gica será um dia muito inte­res­sante, mas cer­ta­mente eu vos digo que não é o fim do mundo.

Você tem ideias espe­cí­fi­cas do que pode­ria acon­te­cer no pró­ximo ano? O retorno dos deu­ses? O que você acha que está acon­te­cendo no Japão? Será coin­ci­dên­cia?
Artaud: Como eu aca­bei de men­ci­o­nar não acre­dito nesse cená­rio. Enquanto os arau­tos da tra­di­ção maia do fim do mundo, com enorme ter­re­moto, con­si­de­ram que os ter­re­mo­tos no Haiti, Myan­mar e Japão são coin­ci­dên­cia e não atri­buem uma data espe­cí­fica para o retorno dos Anun­naki da cos­mo­lo­gia sumé­ria. Con­si­de­rando a cri­a­ção, no ano 3001 a.C., sumé­ria como a che­gada dos gran­des de idade, cha­mada Annu­naki, então temos de acei­tar uma pro­xi­mi­dade sufi­ci­ente de Nibiru para a Terra em cerca de 700 anos. Con­cluí­mos que essa teo­ria não se encaixa bem.

O 8 parece desem­pe­nhar um papel cen­tral … O sím­bolo sumé­rio de Nibiru é asso­ci­ado com oito estre­las. Há 8 can­ções nos álbuns e 4 no EP. Existe algum sig­ni­fi­cado espe­cial?
Artaud: Bem, na ver­dade exis­tem 12 pla­ne­tas na cos­mo­lo­gia sumé­ria. Assim, encon­tra­mos oito músi­cas de cada álbum e qua­tro músi­cas para o EP. E pode­mos dizer que haverá um total de oito álbuns e oito EPs. Estes, no entanto, não são afi­li­a­das com o calen­dá­rio juli­ano, e não cor­res­pon­dam a qual­quer limi­ta­ção de tempo.

Há algum livro que reco­menda sobre as teo­rias dos anti­gos astro­nau­tas? Exceto Däni­ken, que é uma fraude!
Artaud: Däni­ken não é fraude. Desen­vol­veu suas teo­rias revo­lu­ci­o­ná­rias das mes­mas ques­tões fun­da­men­tais que ori­en­tam a minha ins­pi­ra­ção. Algu­mas de suas ideias são muito inte­res­san­tes e acho que algu­mas outras total­mente absur­das. Mas isto pode ser expan­dida em tudo o que se rela­ci­ona com esta ques­tão par­ti­cu­lar. Eu não reco­men­da­ria um deter­mi­nado livro ou publi­ca­ção, a mai­o­ria já tem um con­ceito inte­res­sante, como Robert Char­roux de “Phan­tas­ti­che Ver­gan­ge­nheit (Grande Pas­sado)” ou San­ger Mel “2012 — Ano do Pro­jeto Enoch”, mas aca­bou per­dendo para a mai­o­ria das teo­rias de UFOs ou a teo­ria pseudo-americana da “Nova Ordem Mun­dial”, que chama para a domi­na­ção mundial.

O que você acha dos livros de Zecha­ria Sit­chin? Têm sido uma influên­cia?
Artaud: Ele tam­bém ofe­rece alguns con­cei­tos inte­res­san­tes. “O Código Cós­mico” ou “Pla­neta 12″ são livros muito inte­res­san­tes, que são reve­la­do­res em mui­tos aspectos.

Você é um the­lê­mico pra­ti­cante? Você real­mente pra­tica magia?
Artaud: Não. Meu inte­resse é em par­ti­cu­lar em Cro­wley, tenho certo fas­cí­nio por esse homem.

Eu sei que você é um cole­ci­o­na­dor de livros, qual é o seu favo­rito? Qual foi difí­cil de obter ou encon­trar? Você tem algum com mais de 100 anos?
Artaud: Eu tenho um monte de livros que são bas­tante anti­gos, mas isto é irre­le­vante. A ques­tão é o con­teúdo. E isso eu con­sigo cada vez mais na internet.

Gar­den of Delight, Luthe­rion e Meci­ful Nuns são três pro­je­tos que têm mui­tas coi­sas em comum, mas tam­bém coi­sas muito dife­ren­tes. É a sua neces­si­dade como um músico que quer expe­ri­men­tar coi­sas dife­ren­tes, a mudança é neces­sá­ria para a ins­pi­ra­ção, ou tem haver com influ­en­cias musi­cais pes­so­ais?
Artaud: Eu acho que em um sen­tido musi­cal GOD e Mer­ci­ful Nuns não estão muito dis­tan­tes. Os Nuns são, basi­ca­mente, uma refle­xão e um retorno às velhas vir­tu­des de GOD, que eu sem­pre man­tive pró­xi­mas. Luthe­rion já é dife­rente. Aqui, o impulso para a mudança foi grande. Eu só que­ria fazer algo mais do que um som gótico puro. Pesado, teutô­nico e tal­vez mais viá­vel comer­ci­al­mente, mas eu sem­pre achei difí­cil de admi­tir, pelo menos no começo. Olhando para trás, tenho de admi­tir que meus pon­tos for­tes estão na cri­a­ção de sons escu­ros, com­ple­xos, melan­có­li­cos e circulares.

Que sig­ni­fi­cado tem o gótico para você, exceto ser um tipo de música?
Artaud: Se você quer dizer as raí­zes musi­cais e cul­tu­rais do gótico, isso sig­ni­fica muito para mim. Mas se eu olhar para o que tem sido feito ao longo dos anos, então não tem rela­ção com aquilo que uma vez tive como um fas­cí­nio pro­fun­da­mente enrai­zado em mim. Tenho estado longe da cena há muito tempo. Ban­das geral­mente asso­ci­a­das com o gênero gótico hoje não me agra­dam. Pior, mui­tas delas pare­cem emba­ra­ço­sas. É muito colo­rido e super­fi­cial para o meu gosto. Tal­vez por esta razão que eu me sen­tia incli­nado a escre­ver álbuns — para revi­ver aquilo que foi per­dido. Um reco­meço, um revi­val dos níveis musi­cais e espi­ri­tu­ais inex­plo­ra­dos. Pre­ser­vado e trans­for­mado em um tempo antes do tempo, antes mesmo de o gênero gótico ser defi­nido, quando ainda era somente uma convicção.

Qual é a sua opi­nião sobre o fato de que ban­das como Eva­nes­cence, H.I.M. e Marilyn Man­son serem con­si­de­ra­dos “góti­cas” por parte da mídia e os fãs mais jovens?
Artaud: Não tenho nenhum pro­blema com isso. Eu sei o que é o gótico de ver­dade — e isso é suficiente.

A cena do rock gótico ale­mão da década de 90 foi muito impor­tante com ban­das como Love like Blood, the Merry Thoughts, Still Pati­ent?, the House of Usher, Dre­ad­ful Sha­dows,  Age of Hea­ven, Dron­ning Maud Land, Into the Abyss, Secret Dis­co­very e, claro, o pode­roso GOD, a mai­o­ria deles hoje tris­te­mente desa­pa­re­ce­ram. O que você acha que cau­sou a queda do cená­rio do rock gótico ale­mão?
Artaud: A mai­o­ria dos gru­pos não pode­ria ser levado a sério de qual­quer maneira. A única banda legal aqui é The Merry Thoughts. Infe­liz­mente, Mar­vin tem sido e con­ti­nua a ser impro­du­tivo. E eu duvido que algum dia vai mudar.

Existe alguma banda que você con­si­dere “pró­ximo” ao Nuns hoje?
Artaud: Creio que não.

Eu sei que uma vez que tocou “first & last & always” em um con­certo. Como o som do Nuns é pare­cido com o do Sis­ters of Mercy, há alguma pos­si­bi­li­dade de tocar este cover nova­mente com o Nuns ou alguma outra musica?
Artaud: Não.

Algum mem­bro do Sis­ters of Mercy recla­mou do nome Mer­ci­ful Nuns?
Artaud: Não, mas não con­sigo acre­di­tar que Andrew fosse gos­tar do Nuns. Na melhor das hipó­te­ses eu acho que ele odeia tudo isto e eu gosto de ser odiado

Você acha que o rock gótico pri­mi­tivo pode­ria ganhar de volta a sua antiga gló­ria?
Artaud: Você quer dizer que, se gru­pos como o Nuns pode­ria ser tão famoso como as ban­das dos anos 80? Não. Se você quer dizer que o Fields of the Nephe­lin ou o Sis­ters vão ven­der tanto quanto nos anos 80? Nenhum dos dois. O  gótico real hoje não pode ser um grande negó­cio, por­que os ouvin­tes da mai­o­ria das músi­cas são mais ori­en­ta­dos para o pop e temas do fes­tas. Esta­mos muito mais no under­ground e eu adoro isso!

Você pre­tende refa­zer mais músi­cas do Joy Divi­sion?
Artaud: Eu penso que não. A esco­lha de The Eter­nal era sim­ples: eu gosto do humor som­brio na música. E, a pro­pó­sito, essa música se encaixa per­fei­ta­mente com o som do Nuns.

Quais são as músi­cas que Seth está ouvindo esses dias? Seria bom saber que dis­cos estão em seu player e de Jawa.
Artaud: Na ver­dade, eu gosto de ouvir o meu pró­prio mate­rial. Jawa tem ouvido inten­sa­mente o The Wake. Outra banda que tem sido seri­a­mente subes­ti­mada. Eles eram real­mente bons. E cer­ta­mente muito melhor do que 90% do que eles dei­xa­ram na Ale­ma­nha ou na Ingla­terra naquela época. Espe­ci­al­mente os ingle­ses, que con­si­de­ram sua cena gótica a única ver­da­deira. A rea­li­dade por trás disso é que, infe­liz­mente, nenhuma banda da cha­mada segunda onda, alcan­çou popu­la­ri­dade para além das suas pró­prias fron­tei­ras. Pior, nenhuma des­sas ban­das ter rece­bido um regis­tro nosso (Dion For­tune Records), por­que eles sim­ples­mente não têm sido capa­zes de gerar ven­das men­su­rá­veis. GOD, The Merry Thoughts e mais tarde Diary of Dre­ams gerou cinco núme­ros de ven­das em todo o mundo. O con­tin­gente bri­tâ­nico está limi­tado à sua pró­pria ilha de devo­tos. Entre­tanto, consideram-se como maior que o resto do mundo. Esta ati­tude arro­gante sem­pre foi um espi­nho no meu lado.

Você esta­ria inte­res­sado em com­por uma tri­lha sonora para o filme “apro­pri­ado”?
Artaud: Há alguns anos tive­mos uma faixa na tri­lha sonora de Jogos Mor­tais 2, a Lux Occulta. Eu podia ima­gi­nar a escre­ver uma tri­lha sonora completa.

Quão impor­tante é estar em uma banda?
Artaud: Muito impor­tante. Claro que é ver­dade dizer que toco a mai­o­ria dos ins­tru­men­tos na gra­va­ção de estú­dio. Mas, espe­ci­fi­ca­mente, a téc­nica de gui­tarra de Jon entre as linhas refina a música e a faz com­pleta. Algu­mas das melho­res músi­cas como Sanc­tu­ary, Body of Light e inclu­sive a The Eclipse foram con­ce­bi­das com a estrita cola­bo­ra­ção dele. E cer­ta­mente não são as pio­res musi­cas do Mer­ci­ful Nuns. Estou bem ciente de que o foco prin­ci­pal está sobre mim, mas que não faz jus­tiça com Jon e Jawa. Afi­nal, os três esta­mos tocando na mesma banda nos últi­mos oito e seis anos respectivamente.

Por que esco­lher uma turnê com Whis­pers In The Sha­dow e Ven­dem­mian. Esta foi uma grande ideia! Foi sua a ideia de sair em turnê com eles?
Artaud: Na ver­dade foi de Ash­ley (vocal do Whis­pers), que conheço pes­so­al­mente e apre­cio por anos. Seus dois últi­mos álbuns são alguns dos melho­res lan­ça­men­tos desen­vol­vi­dos nos últi­mos anos. O con­tato come­çou com Vendemmian.

Exceto Whis­pers in the Sha­dow, nenhuma outra banda hoje em dia tem se envol­vido com o oculto e/ou tema dos anti­gos astro­nau­tas (e há sem­pre o Nephs, eu sei) O que foi que te fez can­tar sobre esses assun­tos em pri­meiro lugar?
Artaud: Minha eterna busca da ver­dade em meio à névoa de dis­tor­ção reli­gi­osa. Isso resume tudo.

Quais músi­cas que pode­mos espe­rar em abril?
Artaud: Espere até que eu revele o con­junto de lis­tas (risos) Prepare-se para ser surpreendido!

Será que tere­mos sur­pre­sas? Musi­cas anti­gas que o GOD tocou há pelo menos dez anos?
Artaud: Essa é pre­ci­sa­mente uma das razões pela qual se dis­sol­veu GOD! Depois de tan­tos álbuns e músi­cas que nós gos­ta­mos, para nós é impos­sí­vel com­pi­lar lis­tas. Todo mundo espera seus sons  favo­ri­tos, pro­cura clás­si­cos. Não havia mais espaço para a ino­va­ção. Mas algum clás­sico do GOD pode apa­re­cer em nosso setlist, mas o obje­tivo claro e per­ma­nece nas musi­cas do Mer­ci­ful Nuns.

Retor­nando à sua música, mais uma vez — como é a sen­sa­ção de tocar em um con­certo com o grande Fields of the Nephi­lim?
Artaud: Per­gunte ao Carl como se sente ao tocar com o Nuns. É a única res­posta que posso dar.

Qual foi o show mais memo­rá­vel de sua vida, e que a tor­nou tão espe­cial?
Artaud: Por causa do cará­ter mis­si­o­ná­rio de cada show, só tem um grande sig­ni­fi­cado para mim. Esse sen­ti­mento per­mite que em todos os bri­lhe uma nova luz, e leva-me a minha cru­zada como um men­sa­geiro do ver­da­deiro gótico em todo o mundo. No GOD tive­mos, natu­ral­mente, alguns con­cer­tos memo­rá­veis, dos quais o nosso show de des­pe­dida em Ber­lim em 2008 deve foi memorável.

Qual é o sig­ni­fi­cado de “paraíso”?
Artaud: Em todo lugar onde me sinto con­for­tá­vel pode ser um auto-paraíso. Enquanto minhas letras são mui­tas vezes mer­gu­lha­das em temas da vida após a morte,  estou acor­dado o sufi­ci­ente para reco­nhe­cer a beleza do aqui e agora. Nesta nota eu gos­ta­ria de agra­de­cer ao Nunhood pela opor­tu­ni­dade desta entrevista.

Fonte: Hypo­geum

Som­brati

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