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Dez dis­cos para come­çar a gos­tar de Avant-Garde Metal

Sau­da­ções a todos os meus e (por que não) nos­sos lei­to­res aqui do blog Ground­cast. Eis aqui uma lista com dez dis­cos de ban­das do cha­mado Avant-Garde metal, que é tal­vez o gênero mais ino­va­dor dos últi­mos anos. Ele con­siste em pegar ban­das que fazem um som não con­ven­ci­o­nal para o estilo, o que pode incluir mis­tu­rar com indus­trial, com música fol­cló­rica, com outros esti­los e ainda sim sair um som coeso e impre­vi­sí­vel a cada música.

Segue uma lista com dez dis­cos inte­res­san­tes deste gênero que agora come­çou a ganhar alguma reper­cus­são den­tro da mídia especializada.

Mr. Bungle %E2%80%93 California 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalMr. Bun­gle – Cali­for­nia (1999)

Mike Pat­ton, conhe­cido como líder e fun­da­dor do Faith no More, sem­pre foi um cara que gos­tou de ino­var. Pou­cos dos seus pro­je­tos não foram ino­va­do­res ou ao mesmo pouco usu­ais, fato que lhe valeu par­ti­ci­pa­ções nos mais diver­sos gru­pos, como o Naked City, do John Zorn.

E é no Mr Bun­gle que temos um estilo dife­rente, que mis­tura mui­tos gêne­ros musi­cais. Tanto que a música mais conhe­cida deste disco, a Ars Mori­endi, pos­sui esti­los que vão do heavy metal ao ska rock. E é tam­bém um disco polê­mico, pois seu lan­ça­mento estava mar­cado para o mesmo dia em que foi lan­çado o “Cali­for­ni­ca­tion” do Red Hot Chilli Pep­pers, com quem Pat­ton nunca teve boas relações.

E é por tudo isto que o disco vale a pena. Ino­va­dor, polê­mico, dife­rente e, acima de tudo, ainda não houve nenhuma banda que fizesse o que eles fizeram.

Carnival In Coal %E2%80%93 French Cancan 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalCar­ni­val In Coal – French Can­can (1999)

Um estilo que cer­ta­mente pos­sui os fãs mais “xii­tas” é o Death Metal. Nor­mal­mente eles são aves­sos a gran­des expe­ri­men­ta­ções, o que limita um bocado as ban­das, o que tem cau­sado um enges­sa­mento no estilo.

Em 1999 os fran­ce­ses do Car­ni­val in Coal lan­ça­ram seu segundo disco, somente de covers. Estes covers cobrem artis­tas como Ozzy Ous­borne, Mor­bid Angel e até mesmo Michael Sem­bello (autor da música Maniac, que apa­rece no filme Flash­dance). E o que torna o grupo dife­rente dos outros de Death Metal?

Vamos come­çar pen­sando que, sim, eles fazem Death Metal bem ao estilo euro­peu (ou seja, com um som mais limpo). Só que eles mes­clam outros esti­los, den­tro do rock e do metal, além de efei­tos ele­trô­ni­cos (como aque­les que apa­re­cem em vide­o­ga­mes), entre diver­sos outros esti­los. Isto tudo sem ape­las para o pro­gres­sivo, o que já demons­tra uma ideia de fazer death metal de uma maneira dife­rente. Basta ouvir o cover de Pira­nha, do Exo­dus, onde eles incluem até ritmo de lam­bada no meio da música.

Kayo Dot %E2%80%93 Choirs Of The Eye 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalKayo Dot – Choirs Of The Eye (2003)

Kayo Dot é sinô­nimo de expe­ri­men­ta­lismo e van­guarda e o seu disco de estreia não seia dife­rente. O que torna bem difí­cil de falar sobre ele.

A pri­meira coisa que chama a aten­ção é o fato deles soa­rem como diver­sos esti­los e mui­tas vezes dei­xar a dúvida se per­ten­cem ou não ao metal. A pri­meira faixa do Choirs of the Eye tem par­tes sono­ras que reme­tem a uma caco­fo­nia que é aba­lada depois por uma parte quase death metal, com alguma coisa de doom metal e um teclado cujas notas aumen­tam ainda mais a sen­sa­ção de confusão.

O que tal­vez difi­culte uma audi­ção deles é o fato das músi­cas pos­suí­rem um grau de com­ple­xi­dade muito grande den­tro do avant-garde, colocando-os como uma banda mais vol­tada para quem real­mente gosta de algo expe­ri­men­tal e dife­rente. Ainda sim vale uma ouvida, até mesmo para tirar suas con­clu­sões sobre esta face do metal experimental.

Angizia %E2%80%93 Das Schachbrett Des Trommelbuben Zacharias 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalAngi­zia – Das Scha­ch­brett Des Trom­mel­bu­ben Zacha­rias (1999)

A Europa nos sur­pre­ende sem­pre com gru­pos cuja sono­ri­dade é dife­rente. Outras ban­das apre­sen­ta­das aqui são, na mai­o­ria, euro­peias. E os aus­tría­cos do Angi­zia fazem um tipo de música que pres­cinde qual­quer rotu­la­ção. É metal, é dark caba­ret, é música folk (no sen­tido de folk rock mesmo), além de música clás­sica e outras coi­sas, mis­tu­ra­das de forma caótica.

Todos os dis­cos tem nomes com­pri­dos e este não seria exces­são. Das Scha­ch­brett des Trom­mel­bu­ben Zacha­rias (alguma coisa como O tabu­leiro de xadrez do bate­rista Zacha­rias) é reche­ado de todas estas influên­cias, com par­tes que sequer lem­bram o metal. Existe inclu­sive uma osci­la­ção entre os esti­los que o Angi­zia cos­tuma tocar, cri­ando uma música que vai “ins­pi­rar” gente como o Dia­blo Swing Orches­tra.  Músi­cas como Das Bau­er­nends­piel e a Ich Bin Ein Bewoh­ner Des S/W-Diagramms mos­tram a ver­sa­ti­li­dade deste incrí­vel grupo.

Samsas Traum %E2%80%93 Endstation.Eden  150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalSam­sas Traum – Endstation.Eden (2004)

Sim, é uma com­pi­la­ção deste grupo, lide­rado por Ale­xan­der Kas­chte, que faz uma mes­cla entre o metal, o darkwave e outros esti­los. Por exem­plo, a faixa Ends­ta­tion Eden pos­sui uma gama musi­cal que remete desde o gothic metal ao darkwave, sem con­tar músi­cas como Hier Kommt Alex (cover da banda punk Die Toten Hosen).

Conta tam­bém com músi­cas do Weena Mor­loch, que é o tra­ba­lho de metal indus­trial de Ale­xan­der (pre­sente ape­nas numa edi­ção espe­cial do disco).

Atu­al­mente os tra­ba­lhos do grupo estão para um lado mais har­drock, mas nunca sabe­re­mos ao certo qual o estilo do Sam­sas Traum, o que con­fere uma iden­ti­dade mutá­vel e incons­tante a cada novo disco.

Igorrr %E2%80%93 Moisissure 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalIgorrr – Moisissure(2008)

Nor­mal­mente um estilo como o grind­core é bas­tante repe­ti­tivo, com suas músi­cas sem­pre cur­tas e quase sem­pre com aquela pegada punk / hard­core, certo? Não para Gau­tier Serre, conhe­cido pelo ape­lido de Igorrr. Ele tam­bém é gui­tar­rista da banda de death metal expe­ri­men­tal Whourkr.

O que o disco Moi­sis­sure traz de bom, afi­nal de con­tas? Escu­tando a Bru­tal Swing, uma das músi­cas mais repre­sen­ta­ti­vas do álbum, nota­mos que ele é muito dife­rente de qual­quer coisa do meio metal. Ele mes­cla IDM, grind­core, bre­ak­core e música clás­sica. O que mais chama a aten­ção é a har­mo­nia des­tes ele­men­tos, que não soam como uma col­cha de reta­lhos bizarra e des­co­nexa, como mui­tas ban­das de metal aca­bam fazendo.

Godflesh %E2%80%93 Slavestate 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalGod­flesh – Sla­ves­tate (1991)

O que falar da banda que influ­en­ciou gran­des gru­pos como Faith No More, Korn, Nine Inch Nails, Fear Fac­tory e, indi­re­ta­mente, mui­tas ban­das de metalcore?

O grupo começa quando Jus­tin K. Bro­a­drick e G.C. Green se unem para for­mar a banda Fall of the Because, que mais tarde se tor­na­ria o God­flesh. Jus­tin é conhe­cido como um dos fun­da­do­res do Napalm Death (onde gra­vou ape­nas um lado do disco Scum) e como par­ti­ci­pante do Techno Ani­mal (um grupo de indus­trial hip hop).

O God­flesh é o que se pode falar de um metal indus­trial com influên­cias genui­na­mente indus­tri­ais. É nítida a marca de indus­trial, que vai se evi­den­ci­ando a cada disco e é no Sla­ves­tate que se con­se­gue uma peça que une o metal com a parte ele­trô­nica e per­cus­siva do indus­trial, que tam­bém remete ao Power Elec­tro­nics. Músi­cas como Sla­ves­tate, Per­fect Skin, por exem­plo, mos­tram uma mes­cla de música ele­trô­nica, metal e industrial.

Blut Aus Nord %E2%80%93 The Work Which Transforms God 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalBlut Aus Nord – The Work Which Trans­forms God (2003)

Vindo da Baixa Nor­man­dia, o Blut aus Nord nunca foi uma banda comum de black metal. O pro­jeto mos­tra cla­ras influên­cias do God­flesh na sua música e é no The Work Which Trans­forms God que a expe­ri­men­ta­ção adquire novos ares.

O disco tem uma mes­cla per­feita de Dark Ambi­ent, Ill­bi­ent, Black Metal, Noise e Expe­ri­men­tal, fazendo com que suas músi­cas não soem pre­vi­sí­veis e que ainda sejam escu­ta­das como músi­cas de black metal. The Choir Of The Dead, The Supreme Abs­tract e a fabu­losa Pro­ces­sion of the Dead Clowns são os gran­des des­ta­ques, que jun­tam ele­men­tos que, apa­ren­te­mente, não pode­riam ser com­bi­na­dos e, mesmo assim, for­mam um con­junto coeso e forte.

Aarni %E2%80%93 Tohcoth 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalAarni – Toh­coth (2008)

Este tra­ba­lho fin­lan­dês, ide­a­li­zado pelo mis­te­ri­oso Mas­ter War­jo­maa, con­siste em músi­cas cujo tema prin­ci­pal é o Cthu­lhu Mythos. A sono­ri­dade do Aarni passa pelo Doom Metal e inclui uma série indes­cri­tí­vel de esti­los, alguns até mesmo difí­ceis de saber ao certo (como uma forte influên­cia do psych folk e da música militar).

É impos­sí­vel não se impres­si­o­nar com o som deca­dente e mór­bido do Aarni, que se torna, depois de um tempo, muito difí­cil de clas­si­fi­car, tal o grau de expe­ri­men­tos sono­ros. Des­ta­ques para as músi­cas All Along The Wat­ch­towers, The Sound of One I Ope­ningIku-Turso, que tra­rão expe­ri­ên­cias bem únicas com rela­ção à música.

Polkadot Cadaver %E2%80%93 Purgatory Dance Party 150x150 Dez discos para começar a gostar de Avant Garde MetalPol­ka­dot Cada­ver – Pur­ga­tory Dance Party (2007)

Para fina­li­zar esta lista, nada melhor que uma banda que mes­cla um monte de sono­ri­da­des numa mesma música e que não seja cópia do Mr Bun­gle. Sim, esta banda existe e se cha­mada Pol­ka­dot Cadaver.

A banda ame­ri­cana se for­mou a par­tir de outro grupo, o Dog Fashion Disco (que tam­bém era expe­ri­men­tal). O pro­pó­sito era fazer uma música pare­cida com a do Dog Fashion Disco e se con­cen­trar mais na parte visual e das apre­sen­ta­ções do grupo.

O grande des­ta­que deste disco é, sem dúvi­das, a música A Wolf In Jesus Skin, mas tam­bém se des­ta­cam as músi­cas DeathwishSole Sur­vi­vor. É difí­cil de dizer exa­ta­mente quais seriam as melho­res, uma vez que são músi­cas muito diver­sas, com influ­en­cias que vão do metal ao soul. Por isto vale a pena conferir.

Fabio Melo

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Pro­fes­sor, reda­tor e edi­tor do Ground­cast. Gosta de música, dese­nhos, escre­ver e, acima de tudo, de arte não-convencional. É o dono, pro­du­tor, res­pon­sá­vel e res­pon­seiro pelo blog.


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