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PARTE CINZA: Entrevista com Cristiano Onofre

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Foto por PUNKnet

A última entrevista do ano do Groundcast é com a banda carioca de “punk rock calça jeans” Parte Cinza. Tive o prazer de conhecer a banda por acaso num show que fui assistir em meados deste ano, e foi uma bela surpresa. A sensação de conhecer uma banda, ouvir e pensar “eu deveria ter ouvido isto antes” é sem igual, e uma vez ou outra na vida você vai sentir isto. O Parte Cinza tem um som “sujo bem feito” não dá pra explicar, apenas ouvindo mesmo. Sem mais delongas, vamos a entrevista:

GROUNDCAST: O Parte Cinza tem um som bem diferente do que eu já ouvi das bandas daqui, tem influências variadas. Quais são essas influências que vocês carregam no som de vocês?

Cristiano: OFF!, Descendents, Youth Avoiders, Black Flag doido, praticamente tudo da Dischord Records, dos brasileiros: Replicantes, Againe e Polara, Renegades of Punk, Tim Maia, Velho de Câncer, Estudantes, etc. Algumas dessas últimas são bandas de amigos nossos, talvez não sejam influências diretas no nosso som, mas fazem parte da construção da banda, de alguma forma, são bandas que a gente ouvia nas primeiras reuniões, nas tardes conversando sobre som e etc.

GROUNDCAST: Cada integrante da banda já participou anteriormente de outras bandas e sem dúvidas sabem como funciona o ‘underground’, então para vocês qual seria a maior motivação para manter a banda?

Cristiano: A maior motivação vem da oportunidade de passar momentos incríveis com pessoas que a gente ama tanto. A banda e toda a rotina (se é que isso pode ser chamado de rotina) em volta dela se tornam um refúgio que a gente têm do mundo que nos sufoca. Passamos o mês ansiosos esperando a próxima viagem, a próxima turnê, o próximo ensaio…

GROUNDCAST: Você desenha ‘Os quadrinhos mais sujos da face da Terra’ e já escreveu um livro também, isso tem influência também no som da banda? E também já pensaram em algum momento em fazer uma obra conjunta, unindo a parte musical com alguma espécie de quadrinho ou algo do tipo?

Cristiano: Muitas das letras do Parte Cinza eu tirei de alguns quadrinhos que eu desenhei no passado, textos ou poesias, então acaba sendo uma relação direta mesmo. Nesse ano a gente lançou virtualmente (e no próximo ano, sairá fisicamente), um zine-split com o Carlinhos (Polara, Againe, Caxabaxa), que mistura desenhos meus  e dele, e músicas de nossas bandas. Foi minha primeira experiência misturando desenho com som, e tô gostando bastante.

GROUNDCAST: Pude assistir o show de vocês na Audio Rebel junto com o Jason e o Dance of Days, e de longe a apresentação de vocês me surpreendeu bastante, uma performance ímpar.  Na opinião de vocês, estar mostrando suas canções para outras pessoas seria a parte mais importante da banda?

Cristiano: Não sei se é a mais importante, mas é importante. Quando mostramos as canções, não estamos só mostrando uma linha de guitarra acompanhada de bateria e baixo e um cara cantando em cima, queremos mostrar o que vem acompanhado disso tudo, a expressão em si, os sentimentos que todo esse ar carrega. Se isso tudo está sendo passado, aí sim dá a sensação de dever cumprido.

GROUNDCAST: Como surgiu o Parte Cinza exatamente e de onde vem esse nome?

Cristiano: Depois que minha antiga banda (Desistä) acabou e a antiga banda do Danilo (baixista), Ovazïo, também acabou, tínhamos vontade de montar uma banda na linha Circle Jerks, OFF!, Black Flag, Dischord Records… um tipo de hardcore que a gente carinhosamente chama de “punk rock calça jeans”. O Dani e o Ernesto (guitarrista) já tocaram juntos numa outra banda chamada Pés Descalços, então pensamos em chama-lo pra ver se ele pilhava de fazer esse som com a gente. As duas coisas mais difíceis ao se montar uma banda obviamente ficaram para o final: achar um baterista e um nome.

Uma vez fui expor os quadrinhos em São Paulo e o Danilo foi comigo, por lá encontramos o Carioca, que já tocou no Busscops e no Nunca Inverno, e ele nos disse que iria voltar a morar no Rio. Foi perfeito, na hora pensamos em chama-lo. Depois, no Rio, eu e o Danilo fizemos mais uma reunião e mandamos uma mensagem pra ele explicando todo esse lance do “punk calça jeans”, e ele pilhou na hora.

O nome da banda foi complicado, mas hoje estamos satisfeitos com Parte Cinza. Tem a ver com essa instabilidade do sentimento e de saber as partes que tomam conta de você, tem dias que a gente se sente irradiante, ensolarado, colorido, alegre e contente. Tem dias que a gente só consegue dar atenção pra nossa parte cinza.

GROUNDCAST: Vocês tem um EP lançado até agora que se chama ‘Parte Um’, vocês pretendem lançar mais algum EP este ano ou até mesmo um álbum?

Cristiano: Claro. Temos algumas músicas novas engatilhadas, algumas ideias de outros splits e lançamentos. Se tudo der certo, 2014 vai ser mais legal e agitado ainda.

GROUNDCAST: A internet é cada vez mais a principal ferramenta de comunicação entre a banda e seus ouvintes e de propagação da coisa como um todo, o que vocês pensam em relação ao download de suas canções?

Cristiano: Totalmente a favor. Não estamos aqui pra estreitar relações de compra e venda com as pessoas que querem ouvir nossas músicas, isso não faz sentido nenhum.

GROUNDCAST: Vocês já fizeram alguns shows ai em outros estados e um inclusive foi filmado na integra, como tem sido a recepção das pessoas em seus shows nos outros estados?

Cristiano: Tem sido incrível. É por isso que a gente pira tanto nesse conceito de “vida cigana”. Viajamos bastante em 2013 fazendo shows, e é ótimo trocar vivências e ideias com pessoas e espaços que, mesmo tão geograficamente distantes de nós, conseguem se mostrar tão perto e entrelaçados.
Independente dos shows, todas as viagens como um todo são especiais, conhecer pessoas, lugares, dar risadas, comer comida vegan gostosa. Se pararmos pra pensar, o show é o de menos. Os momentos que passamos juntxs de tantos carinhos são o que ficam marcados na pele e na alma (se é que nós temos isso).

GROUNDCAST: Cada vez mais bandas novas tem surgido pelo Brasil a fora e cantando em português, como vocês veem isso? Tem alguma banda em especial que chamou a atenção de vocês nesses últimos anos?

Cristiano: É legal ter bandas novas surgindo, isso mostra que o cenário independente só tende a crescer e cada vez mais as pessoas estão percebendo que o faça-você-mesmx é um caminho válido, e não necessariamente um degrau pra algum tipo de alpinismo social. Eu tenho um carinho especial por bandas que tocam músicas em português, não por um nacionalismo idiota, mas porque acho que assim as letras e, consequentemente, as ideias que as músicas carregam acabam chegando a mais pessoas, principalmente aquelas que não entendem inglês ou outras línguas. E as bandas que me chamaram atenção: Devir, Medialunas, Anti-Corpos, Doppelgangers, Campbell Trio, Lê Almeida, A Cidade Atrás da Neblina, Soror, Dança da Vingança, Ameaça Cigana, Sick Visions, Better Leave Town, Under Bad Eyes, Beyond Frequency, e mais um monte!

GROUNDCAST: Deixe ai uma mensagem para quem estiver lendo que venha a conhecer ou para quem já conhece o som de vocês.

Cristiano: Obrigado principalmente a todxs xs novxs e velhxs amigxs que nos ajudaram pelo ano de 2013 a concretizar a “Vida Cigana Tour” e as outras viagens que fizemos, às bandas que tocaram conosco, mídias que fizeram entrevistas e divulgaram o Parte Um. Esse ano foi foda. D.I.Y. or die!

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