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Phil Anselmo e porque a cena metal precisa urgentemente mudar

O que podemos levar para o ano de 2017?

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Como último artigo do ano de 2016 não poderia ser diferente, até mesmo porque uma das grandes merdas que marcaram esse ano. Sim, eu falo do senhor Phil Anselmo, que fez aquela saudação White Power e depois veio pedir perdão pelo vacilo. Relembre no vídeo abaixo:

O vocalista percebeu que fez algo que não deveria e passou um bom tempo pedindo desculpas, até mesmo cogitando que o Down continuasse uma parte da turnê sem ele, para evitar represálias à banda. Sem contar as declarações de que estava brincando, que acabou se excedendo porque estava bêbado, que tinha tomado muito vinho branco e, por conta disso, tinha surgido uma piada interno sobre o “poder branco”.

Depois de tanto tempo, ao dar uma entrevista para o programa de Eddie Trunk, o Volume, da rádio SiriusXM, o senhor Anselmo tenta justificar dizendo que era tudo uma piada, que ele tinha inclusive dado um beijo nos lábios do Doug Pinnick, do King’s X, um negro e gay e que dali vinha todo o discurso de humor negro. Como se não bastasse, atacou pesadamente o Robert Flynn e o Scott Ian, respectivamente das bandas Machine Head e Anthrax, colocando-os como “traiçoeiros” e ainda citando que o Flynn foi um “oportunista” e colocando o Ian como preconceituoso por causa de uma música.

Vamos recapitular uma coisa, antes de mais nada: o cara faz uma saudação nazista no palco e grita “White Power” e ainda diz que era zoeira. Quer dizer, assim, gratuitamente, sem nenhum contexto, sem nenhum tipo de preparação nem nada. Nem para paródia poderia servir. E o fato dos dois músicos terem se manifestado se configura em algo que faz muita falta nessa cena chamada metal: posicionamento contra o preconceito.

Vamos ser claros, amigos: nesse ano de 2016 o que mais teve foi fã e membro de banda de metal com atitude racista e preconceituosa pela internet. Isso é um agravamento do que rolou em 2014, visto que gente de bandas como Salário Mínimo e Korzus também falaram altas groselhas. Isso tudo ficou ainda pior porque a cena passou a concordar e a aceitar esse tipo de discurso. Aceitar que é de boas ser racista, se isso não interferir no som.

Agora a gente tem um problema aqui. O racismo e os excessos do Phil Anselmo nunca foram usados como propaganda nas músicas dele, em quaisquer bandas que ele tenha participado. Esse comportamento, enquanto parte da esfera pessoal, não seria um problema para ele, até mesmo porque não tem como controlar pensamentos de ninguém. O problema é ele externar isso durante uma performance. Deixar claro que depois se arrependeu porque pegou mal para ele, teve participação em festival cancelada e deu uma esfriada na turnê do Down. Tudo isso porque os fãs não engoliram muito bem esse tipo de posicionamento, ainda mais numa época em que cresce a quantidade de conservadores dentro desses meios undergrounds.

E é aqui que a nossa terra brasillis precisa deixar esse posicionamento passivo de aceitar qualquer coisa. Claro que o Phil Anselmo, junto com o pessoal do Pantera, deu um gás necessário a um gênero combalido como o thrash metal. Claro que ele ainda é uma pessoa com muitos amigos dentro do meio e vive a participar de eventos e de shows em conjunto. Mas também é cobrar de outros músicos um posicionamento contra essas merdas. É mais ou menos o que andou rolando na turnê conjunta Sepultura e Lobão. O grau de alheiamento ideológico não deveria permitir esse tipo de aberração, sobretudo de alguém que abertamente se coloca de um lado conservador, indo contra uma banda que fez um cover maravilhoso de Polícia, dos Titãs e também foi responsável por letras com forte teor de protesto.

Nesse ano que chega é preciso parar de ser permissivo com qualquer tipo de lixo ideológico. Talvez assim o rock e o heavy metal passem a representar a contestação de valores, a luta contra a opressão social e a busca da liberdade. Não esse amontoado de moleques de classe média que usam do gênero para imprimir uma falsa superioridade

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