[Resenha] Lovelorn Dolls – Darker Ages (2018)

  1. Darker Days
  2. Dead Sea
  3. Lament
  4. Shining Star
  5. Happy Endings
  6. Psalms (in the name of God)
  7. Love Missile
  8. Maniac Girl
  9. Legenda Natura
  10. Another World

Gothic Metal / Gothic Rock, Alpha Matrix

Faz um bom tempo que eu conheço o Lovelorn Dolls e eu podia jurar que tinha uma resenha do disco anterior, o Japanese Robot Invasion, que aliás, eu adoro, é um disco sensacional. Só que esqueça o que você já ouviu desse duo belga de gothic metal / darkwave: Darker Ages muda completamente a tônica, as referências e se torna um trabalho com uma musicalidade muito mais amadurecida.

O grupo é formado por Kristell Lowagie, conhecida vocalista de outras bandas de metal belgas e Bernard Daubresse, que faz as guitarras e também boa parte das letras das músicas. O trabalho deles prioriza um gothic metal que bebe muito de influências de música gótica, mas contando também com guitarras bem pesadas e vocal mais técnico e melódico.

Produzido pelo Max do Helalyn Flowers, o álbum mostra uma musicalidade introspectiva, bem menos dançante que os discos anteriores, muito mais focado em melodias de voz e de guitarra. Para podermos situar melhor o leitor / ouvinte em Darker Ages, vamos entender o que influencia este trabalho. Continua a musicalidade do metal, mas dessa vez há muitas referências ao rock gótico dos anos 1990 e também um pouco de música pop, mas sem cair em uma fórmula muito clichê.

O primeiro ponto que eu gostaria de destacar é a bela voz de Kristell, que mostra uma versatilidade muito grande, muito maior até que nos discos anteriores. Em muitos momentos lembra até mesmo grandes vocalistas como a Liv Kristine, sobretudo na fase mais gótica do Theatre of Tragedy. O segundo é com relação à musicalidade deste trabalho. Com o uso de riffs bem característicos e até alguns solos de guitarra, temos um trabalho muito mais denso, muito mais melancólico e mais complexo que o Japanese Robot Invasion. Há alguma coisa de heavy / hard em muitos momentos e, como não, muitos momentos comparáveis ao Aegis, do já citado Theatre of Tragedy. Também dá para notar que algumas músicas trazem alguma coisa de shoegaze, sobretudo pelo uso de distorções e efeitos.

Um dos pontos negativos para este trabalho está na bateria. Embora ela cumpra bem o seu papel nas canções, ela soa muito artificial e com uma sonoridade bastante ruim em alguns momentos. Essa parte precisava de um pouco mais de cuidado, uma vez que ela ajuda a dar o ritmo das músicas. Também podiam receber o mesmo tratamento e complexidade da voz e da guitarra, uma vez que a percussão destoa demais de todo o resto.

Abrindo com Darker Days, tem-se uma música que começa numa parte em piano, seguida de uma voz num estilão meio black metal, contrastando num dueto com a voz angelical, sem, contudo, parecer com algo estilo A Bela e a Fera, além de riffs que remetem a um metal bem moderno, numa pegada mais próxima do power prog. Dead Sea é uma música muito bonita, feita num instrumental bem introspectivo e sombrio. Para mim é a melhor música deste trabalho, com certeza daria um excelente single de trabalho para a banda. Chegando em Lament, a tônica muda para uma introdução post-punk, que progride para uma canção com traços bem fortes de synthpop e também de heavy metal, transpirando uma melancolia e uma sensação de tristeza que fica nas vozes e nas letras. Shining Star lembra um bocado o The Birthday Massacre, inclusive no trabalho de voz, mostrando uma música triste, com bastante influência de música eletrônica e até mesmo a voz, que lembra um bocado o jeito da Chibi cantar. Happy Endings continua com a mesma musicalidade da faixa anterior, dando mais ênfase à voz e variando-a mais.

Mudando a tônica para algo mais na linha do Theatre of Tragedy, com guitarras mais evidentes e riffs mais marcados, chega a Psalms (in the name of God), que também se influencia pela música pop nos vocais. Love Missile soma como uma continuação da música anterior, só que a ênfase na guitarra diminui sensivelmente e a voz adquire uma consistência muito maior que nas músicas anteriores. Arriscando um pouco na onda do synthwave o disco nos presenteia com Maniac Girl, que também tem um traço de metal mais próximo do hard anos 1980. Legenda Natura muda de clima, indo para algo menos introspectivo e mais animado, com o uso de uma batida melhor que nas músicas anteriores e também com muito mais peso, além de uma leve influência de trip hop. O trabalho finaliza com Another World, que se aproxima de uma música mais “padrão” do grupo, inclusive com direito a guitarra um tom abaixo, além de uma voz com menos efeito e mais natural.

No saldo geral, é um bom trabalho, embora ainda prefira o Japanese Robot Invasion, este novo aponta para um amadurecimento muito bem vindo do grupo. Ainda bem.

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