[Resenha] Macaco Bong – Deixa Quieto (2017)

01. Smiles Nike Tim Sprite (Smells Like Teen Spirit)
02. Móviaje (On a Plain)
03. Nublum (In Bloom)
04. Briza (Breed)
05. Loló (Polly)
06. Com Easy Ou Uber (Come As You Are)
07. Lírio (Lithium)
08. Drive-in You (Drain You)
09. Salão (Lounge Act)
10. Território Piercing (Territorial Pissings)
11. Longe De Tudo (Stay Away)
12. Somente Whey (Something In The Way)

Post-rock / Instrumental / Stoner, Sinewave

Sou fã do Macaco Bong desde que escutei o This is Rolê, lançado em 2012. Conheci numa época em que eu ainda era muito resistente a discos totalmente instrumentais, salvo, talvez, pelo Mono e o Explosions in the Sky. Confesso que Macumba
Afrocimética (2015) me chamou muito a atenção positivamente, a despeito de ter lido uma resenha aqui e ali falando de alguns problemas com produção e o Macaco Bong (2016) que me soa muito malcuidado, a despeito da boa qualidade das canções. Quando vi que eles iam lançar a interpretação deles para o clássico Nevermind, do Nirvana, fiquei um bocado apreensivo e feliz, pois podia ser que o disco fosse um fiasco completo ou que ele soasse muito original. Infelizmente, ele ficou no meio termo e isso não é um ponto positivo.

No geral o que acontece é o seguinte: o grupo se esmera em trazer versões renovadas dos grandes clássicos do Nevermind. Funciona muito bem com “Smiles Nike Tim Sprite”, releitura de “Smells like teen spirit”, incluindo o riff característico misturado com uma levada com muito suingue. Para mim, inclusive, é a melhor música disparada do trabalho dos caras. “Móviaje”, versão para “On a plain” se mostra uma canção muito cansativa, trazendo muitos clichê e maneirismos do que se pode notar em grupos como E a Terra Nunca me Pareceu tão Distante, além da bateria soar muito alta com relação aos outros instrumentos. “Nublum”, releitura para “In Bloom” é uma boa música, que respeita bastante a versão original, colocando até algumas boas distorções. Em “Briza”, versão de “Breed”, a bateria tribal e os riffs de guitarra cortando a música trazem o lado bom da música do Macaco Bong que me fez gostar da banda. Também é uma música que traz muitos elementos da versão original, ainda que bastante adaptados a uma sonoridade mais carregada de efeitos. “Loló” faz uma releitura muito bonita de “Polly”, sendo a melhor música deste disco como um todo. O que mais impressiona nessa música é que ela lembra muito a música original, mas é transformada num conjunto interessante, com uma guitarra criando texturas e os riffs característicos da música do Nirvana, junto a uma linha maravilhosa de baixo e bateria. Indo para a psicodelia, “Come As You Are”, aqui rebatizada como Com “Easy ou Uber”, faz uma homenagem bem decente a um clássico da MTV dos anos 1990, com uma base mais ruidosa e menos orientada para a guitarra.

Um dos grandes tropeços do grupo reside em “Lírio”, concebida como reinterpretação de “Lithium”. Além de uma produção em lo-fi bastante esquisita, a música não soa interessante, parecendo algo feito para cumprir a releitura, num misto que lembra uma música de fanfarra, só que com ideias muito mal apresentadas. “Drive-in You”, “Drain You” na versão original, é uma música cansativa, que erra muito ao tentar modificar uma estrutura musical e apresentar algo mais ruidoso, como se fosse um noise rock despretensioso. Não funciona, sobretudo quando a bateria se sobrepõe aos outros instrumentos. “Salão”, que no caso reapresenta Lounge Act, é um stoner bem sem graça, que destoa muito das leituras anteriores, apresentando uma música mais veloz. Território Piercing, versão de Territorial Pissings, é uma canção bem mais ou menos, apresentando uma psicodelia um pouco forçosa, já apresentada em outras músicas ao longo deste trabalho, que vale muito mais pelo trabalho primoroso de bateria. “Longe De Tudo” que refaz “Stay Away”, é uma tentativa de fazer alguma coisa tribal, alguma coisa meio reggae, mas que no fim não consegue dar liga ao conjunto, sobretudo por parecer um trabalho menos primoroso, quase como uma versão demo de uma canção. Para finalizar, “Something In The Way” é concebida como “Somente Whey”, melhorando e muito o que foi apresentado anteriormente, pois casa uma linha melódica de guitarra numa linha bem mais introspectiva e alterna com momentos mais pesados.

No saldo geral, o disco soa como algo que tem ideias incrivelmente boas e coisas extremamente dispensáveis. Vale pela coragem em recriar um álbum clássico, que marcou a adolescência de muita gente dos anos 1990. Entretanto, Deixa Quieto é cansativo nas primeiras audições, soando mal produzido em muitos momentos, o que tira o brilho de uma das ideias mais legais que surgiu neste meio de releituras. Uma pena, de verdade.