[Resenha] Ulver – The Assassination of Julius Caesar (2017)

1. Nemoralia (4:10)
2. Rolling Stone (9:26)
3. So Falls The World (5:57)
4. Southern Gothic (3:40)
5. Angelus Novus (4:07)
6. Transverberation (4:30)
7. 1969 (3:59)
8. Coming Home (7:50)

Synthpop / Experimental, House of Mythology

Ulver é um daqueles grupos que se pode esperar de tudo. Desde a mudança de direcionamento musical, o grupo norueguês sempre surpreende fazendo o que sabe muito bem fazer: música com extrema qualidade e muito bom gosto. Isso fica ainda mais visível neste novo trabalho, produzido por ninguém menos que Martin Glover, baixista do grupo britânico Killing Joke.

De forma bem resumida, eles arriscaram no synthpop e no new wave. Nada de metal, com um enfoque na voz, mostrando claras influências de Depeche Mode e Kraftwerk. O que certamente vai chocar qualquer headbanger que eventualmente procure no Ulver alguma coisa de metal.

O disco abre com a maravilhosa faixa Nemoralia, que conta a história do imperador Nero e de como ele colocou fogo em Roma. É uma música eletrônica bem introspectiva, com uma levada muito parecida com o Depeche Mode nos primeiros trabalhos. A segunda faixa, Rolling Stone, nos brinda com uma música com fortes influências de RnB e também termina com um rock progressivo dos bons. Chega a ser desconcertante a virada de encerramento. So Falls The World tem uma percussão muito bonita, acompanhada de uma melodia de piano e sintetizadores que fazem um excelente tributo aos anos 1980. Em Southern Gothic, uma das melhores faixas desse álbum, temos um Ulver arriscando ao fazer um excelente trabalho vocal em um som totalmente sintético, que lembra muito o Gary Numan.

A música Angelus Novus parece muito com as bandas mais novas de synthpop, como o Mesh e o NamNamBulu, inclusive apostando numa quase baladinha. A new wave também se faz presente em Transverberation, com um bocado de referências ao New Order e também ao Pet Shop Boys. É um pop muito com cara de anos 1980, com muita beleza. Quase rumando para o final do trabalho, 1969 é mais uma baladinha, uma música muito bem trabalhada e que conta com os belos vocais de Suzanne Sumbundu. Para terminar com chave de ouro, a música Coming Home apresenta um bocado daquele industrial que lembra um bocado o Laibach e também alguma referência ao darkwave.

É um disco super acessível do Ulver ao público comum, mas que nunca irá tocar numa rádio ou virar hit justamente entre eles. É pop, é dançante, é experimental, é tudo o que você pode esperar num bom disco do Ulver.