[Review] Moonspell – Alpha Noir/Omega White (2012)

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Pela primeira vez na história deste blog teremos uma resenha dupla. É muito difícil passar despercebido pelo lançamento do disco Alpha Noir / Omega White dos portugueses do Moonspell. Primeiro por se tratar de dois discos totalmente distintos, mas complementares e que mostram os dois lados do grupo. Um lado negro, pesado, metal e outro branco, gótico, sombrio. É, sem dúvidas, o disco (ou discos) do ano.

Alpha Noir: o lado metal e pesado

 

Comecemos pelo disco “oficial” da banda. O alfa é o começo de tudo, o início. Representa, neste lançamento, como o Moonspell iniciou, em sua fase black metal, altamente influenciada por Celtic Frost.

Este primeiro trabalho tem sua sonoridade fortemente influenciada pelo black metal melódico, influenciado pelo death metal e pelo thrash e várias passagens dos discos mais recentes, como o Memorial e o Night Eternal. Está muito superior a estes, combinando peso e melodia, sem soar extremamente cru ou desordenado.

“Lickanthrope”, a música de trabalho deste disco, retoma o tema da licantropia, presente em trabalhos como Wolfheart e Irreligious. É pesada, cujos riffs remetem ao metal mais tradicional (aspecto pouco presente em composições anteriores). “Versus” é quase uma faixa heavy metal deste disco, talvez destoando do que fizeram no passado, mas soando ainda como Moonspell. “Alpha Noir” retoma o estilo consagrado dos portugueses, com diversos flertes com o death metal mais moderno. “Em nome do medo”, a única música em português deste disco, começa com uma base no baixo muito densa e grave, para depois começar uma das melhores e mais bem trabalhadas músicas deste trabalho. “Love is Blasphemy” abre com um trecho retirado da Bíblia, aludindo ao momento da comunhão.

Dos dois discos é aquele de assimilação mais demorada. Deve ser ouvido algumas vezes, acostumando o ouvido ao disco. É indicado para quem gosta de ouvir os últimos discos.

Faixas

  1. Axis Mundi
  2. Lickanthrope
  3. Versus
  4. Alpha Noir
  5. Em Nome do Medo
  6. Opera Carne
  7. Love Is Blasphemy
  8. Grandstand
  9. Sine Missione

Omega White: o final gótico

 

Omega é o final, o término de um ciclo. É também a morte, o momento de mudança. Representa o Moonspell durante sua fase mais gótica, compreendida entre os discos Sin/Pecado, Butterfly Effect, Darkness and Hope e The Antidote.

Este segundo disco é para aqueles com saudades deste lado mais influenciado pelo rock gótico. É mais “calmo” se comparado com o Alpha Noir, mas sem perder o peso. É diferente, sobretudo por ser para os fãs desta leva menos metal do grupo.

“White Skies”, música de trabalho do Omega White (e não coincidentemente, a segunda faixa deste álbum), demonstra claras influências de gothic rock estilo Sisters of Mercy. Soa próximo do Lacrimas Profundere atual e uma tem letra bem grudenta. “Fireseason” é quase uma música de gothic rock mais pesada, nos mesmos moldes dos trabalhos atuais do Deathcamp Project e do Nox Interna. “New Tears Eve” é para os fãs do disco Darkness and Hope. Soa muito próxima das composições daquele disco, talvez com uma produção que está muito acima. “Incantrix” é uma música de gothic rock com bastante peso em algumas partes, um dos grandes destaques do trabalho. As faixas seguintes seguem o mesmo padrão, pendendo ora para um som mais gótico, ora para alguma coisa mais metal.

Dos dois, estes é, sem dúvidas, o melhor disco. Talvez pela produção mais limpa, pelo seu lado de retorno aos discos antigos com inovações e outras coisas, isto tudo faz o Omega White ser o melhor disco dos dois.

E no fim das contas…

Alpha Noir e Omega White se complementam. São dois excelentes discos, com propostas opostas e complementares. A edição especial vale ser mencionada, que vem com os dois cds num belo conjunto digipack com o encarte e um pingente com os símbolos do Moonspell.

Faixas

  1. Whiteomega
  2. White Skies
  3. Fireseason
  4. New Tears Eve
  5. Herodisiac
  6. Incantatrix
  7. Sacrificial
  8. A Greater Darkness

Editor, dono e podcaster. Escreve por amor à música estranha e contra o conservadorismo no meio underground.