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[Review] Sasha Grey As Wife – Ashtar Sheran I: Terra (2017)

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  1. Vrillon 1977
  2. Shane Lee Mack
  3. iPhone Simulator ’97
  4. Bailey Jay
  5. Juliette Society
  6. Xmas Banzo
  7. Septo
  8. Biofobia aka Freak Fiction
  9. Era
  10. Trans Crux
  11. Terra

Alternative Rock / Eletronica / Post-Rock

Faz um bom tempo que eu entrevistei o Júlio do Sasha Grey As Wife, na época que ainda esse disco não tinha sido pensado e o projeto tinha uma vibe muito mais eletrônica e experimental. Isso mudou bastante com este trabalho incrível, o Ashtar Sheran I: Terra. Tudo o que eu tenho a dizer, antes de qualquer coisa, é o seguinte: não percam um dos melhores discos deste ano.

Musicalmente o trabalho aposta num rock alternativo com doses generosas de rock progressivo e até um pouco de math rock. É complexo do ponto de vista instrumental, com passagens técnicas muito marcantes e ritmos muito intensos. Também tem alguma coisa de rock eletrônico e de hip hop, sobretudo por conter muitas partes faladas e narradas.

Este trabalho abre com Vrillon 1977, uma referência ao caso de uma transmissão sendo interrompida por Ashtar, um suposto alienígena que de tempos em tempos entra em contato com a humanidade, dessa vez com o propósito de avisar aos humanos como devem ser proteger da própria destruição. Essa ideia de interferência aparece em outras músicas, com algumas narrativas aparecendo dentro de outras faixas. Shane Lee Mack vai para um lado mais prog metal, com narrações em português com letras em inglês. iPhone Simulator ’97 é um rock progressivo dos bons, com math rock e algumas influências de post-rock, cujas letras criticam o estereótipo do homem machista, como algo que é facilitado pelas relações com a internet. Bailey Jay é uma homenagem a atriz pornográfica transexual de mesmo nome, que também é podcaster, com uma música mais ambiente e com fortes influências de indie rock, contando com a participação de Esteban Tavares. Juliette Society é o nome do primeiro romance escrito pela ex-atriz pornográfica Sasha Gray, sobre um clube secreto onde pessoas muito poderosas realizam seus desejos sexuais mais sádicos e as partes em português retratam um indivíduo que se entrega a devassidão e aos excessos para preencher o seu vazio existencial.

Xmas Banzo começa com um drone de guitarra e algumas narrações, aproveitando para inserir um trabalho muito interessante de percussão, para trazer o tema da tristeza e da melancolia presentes sobre o machismo e a necessidade de ser forte ou pelo menos parecer forte. Septo é um meio termo entre o rock alternativo e o post-rock, com um spoken words muito digno, inclusive falando sobre alguns conflitos do ser humano. Biofobia aka Freak Fiction é inspirada no livro de mesmo nome, escrito por Santiago Nazarian, que também participa da música. Fala sobre o conflito do homem contra a natureza que o rejeita e como ele precisa lidar com isso. Era fala sobre o suicídio, sobre como a sociedade nos empurra a extremos e é indiferente a todo nosso sofrimento, com uma balada pesada, mesclando partes eletrônicas com violão. Conta com a excelente narração do podcaster Rafael Mordente, também conhecido como integrante do grupo UDR. Trans-Crux, a minha faixa favorita, fala dos conflitos que as pessoas consideradas como párias enfrentam, contando sobre um pai solteiro que namora uma mulher solteira, de um homossexual que precisa assumir sua sexualidade para uma família extremamente religiosa, uma travesti que é rejeitada pela igreja, uma mulher que teve uma gravidez indesejada, negros que sofrem preconceito, todos eles sofrendo pelo uso manipulativo da religião cristã. Na forma de rock alternativo, são intercaladas letras em inglês que questionam a divindade enquanto em português nos apresenta como as pessoas sofrem por não estarem dentro do padrão. A última música, Terra, conclui a mensagem do disco, repetindo alguns temas da primeira música e também aponta que a humanidade tem perdido a si mesma.

No geral, é um disco maravilhosamente foda para uma produção nacional. Muito bem produzido, diferente e até mesmo inovador para alguma coisa que fica entre o progressivo e o alternativo, passando por diversos gêneros e mesclando temáticas sociais com outras esotéricas e religiosas. Recomendo muito que vocês escutem sem medos ou preconceitos.

Links Relacionados

http://sashagreyaswife.com/

https://sashagreyaswife.bandcamp.com/

https://www.facebook.com/sashagreyaswife

https://www.youtube.com/sashagreyaswife

https://www.youtube.com/canaltanacapa

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