Review show do Within Temptation

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No último sábado, dia 11 de Fevereiro eu fui, junto de minha namorada e umas amigas dela, ao show da banda holandesa Within Temptation, no Espaço Victory, casa de shows até então desconhecida do público do metal, localizada ao lado do metrô Penha. Depois de ficar algumas horinhas na fila, com o medo constante da chuva e as pernas cansadas, eu e mais milhares de pessoas entramos na casa.

A expectativa não foi saciada logo, tivemos de esperar até às 21 horas, pois a fila de fãs da banda era tão grande que preferiram atrasar o show em meia hora pra todos conseguirem entrar. Achei uma faca de dois gumes, uma vez que isso não seria necessário caso a casa fosse aberta mais cedo, mas achei legal pela consideração dos organizadores (se é que foi esse mesmo o motivo).

Às 21 horas cravadas, o som de fundo parou e iniciou a introdução do show. Com Shot In The Dark, do álbum Unforgiving, Sharon e Cia. LTDA iniciaram o show com uma energia e vibração impressionantes, impressionando a muitos (eu, inclusive) com a força que uma música deste último álbum possui ao vivo. Esta força foi representada novamente na sequência com In The Middle of the Night, Faster e Fire and Ice, todas do álbum mais recente da banda. A segunda sendo mais rápida e excitante, com uma pequena pausa para o retorno do final que fez todo mundo pular junto. Faster, a terceira do show, é mais cadenciada, porém seu riff principal é com maior peso, o que não deixou nem um pouco a desejar. Em Fire and Ice, Sharon demonstra todo seu domínio e técnicas vocais, na música que começa com um belo jogo de teclado e voz, e vai crescendo com a entrada dos outros instrumentos e fecha lá no alto tanto a empolgação do povo contagiado pela energia, como a voz da bela holandesa.

Depois dessa enxurrada de músicas novas, vem Ice Queen pra dar o ar da graça. Pra quem curte a banda é um clássico que tem que estar presente no set, e ainda assim, conseguiu ser melhor do que o esperado, elevando o patamar do show com uma faixa do segundo álbum, lançado há 12 anos. Não obstante, veio Our Solemn Hour, épica, crescente e com um refrão que fez todo mundo cantar junto. Entre essa e a próxima música, um tempinho pra apresentar o batera, Mike Coolen, e o guitarra Stefan Helleblad.

A próxima música, puxada pelo Mike, com um riff pesado e trabalhado, é Stand My Ground. Seu refrão alto e cheio (como de praxe na banda) puxa todos antes de uma leve pausa pra fechar no refrão volumoso. A oitava música é Sinéad, com uma intro moderna, meio eletrônica, mais uma do último álbum, essa música tem o teclado como carro chefe e, pra variar né, super cativante e empolgante. Na próxima música, What Have You Done Now, nada foi menos do que o esperado, e o mais marcante foi o público, que cantou do começo ao fim cada parte da letra, puxado pelo carisma da Sharon.

Fire veio, como o próprio nome diz, queimando e rasgando, com seu peso e cadência, nos riffs trabalhados e na pegada empolgante do começo ao final da música. A próxima música, pra mim, foi a mais trabalhada da banda. Angels começa com voz e teclado, passa pra riffs trincados e um refrão que vai subindo, combinado com uma espécie de breakdown com a pausa num choke pra voltar com o teclado puxando a continuação nesses breakdowns e o refrão amarrando tudo no final do que pra mim, foi a melhor música até então.

Memories arrancou lágrimas do povo que se emocionou com sua levada lenta e cantou junto do começo ao final. Não tinha como ser diferente. Ah, e foi a primeira a trazer um elemento essencial da banda: as dancinhas de mão da Sharon! =D

Where Is The Edge sempre foi uma música para balançar a cabeça no ritmo do riff. E foi o que fizemos, acompanhando essa levada marcada e de peso que preenche a música quando o refrão não entrou ainda, crescente e empolgante.

Na Deceiver of Fools, o público mostrou o motivo dos brasileiros possuírem essa fama de público insano. Cantaram, gritaram, agitaram, fizeram o maior barulho junto com a música, inflamados pela energia da banda e empolgação da música.

A banda tocou 14 músicas direto, non-stop, sem parar, e é de se esperar que eles façam uma pausa antes de finalizar o show. Mas não antes de, talvez, a música mais esperada pela galera, o maior clássico dos holandeses: MOTHER EARTH! Essa música no show dá pra definir com uma palavra: F-O-D-A… banda foda, pegada foda, público foda…é isso.

Depois do clássico, ninguém merece ficar sem descanso, então vem o tão conhecido Bis. Com uma pausa de uns 10 minutos, a banda volta pra fechar o show com mais duas músicas, Hand of Sorrows e Stairway to the Skies. A primeira parece que foi escolhida por a banda pensar que o público se acalmaria com essa pequena pausa depois de 15 músicas, pois a música vem com uma pegada que tirou do chão todo mundo ali presente. A vocalista volta solando, mostrando que mesmo na última música, consegue manter o nível e aguenta elevar a voz ainda assim, seguindo na música com a pegada das outras músicas, empolgando todo mundo.

A última música veio com um baixo marcado forte, com um trabalho bom de tons na bateria, além das guitarras altas e a voz dela crescendo a cada momento que passa da música, que fecha com uma apresentação dos membros restantes da banda e a continuação da música e um solo de guitarra bem clássico e gritado.

Para fechar, a banda tirou fotos de todos os ângulos do palco, tendo de fundo o público que ainda gritava.

Minhas notas sobre o show:

Desempenho da banda: 10

Energéticos e empolgados, a banda que sofreu alterações no ano passado parece que não sentiu nada por isso, se doando nas 17 músicas por igual.

Set-list: 8

Foi ótimo, empolgante e com uma pegada certa, bem construído com o encaixe das músicas e uma sequencia muito bem feita. Tirei dois pontos porque, por mais que o show tenha sido maravilhoso, a ausência de um vocalista masculino para os guturais limitou a banda a não tocar músicas do Enter, que é meu álbum favorito, além de focar extremamente nas músicas mais recentes e esquecer um pouco de algumas mais antigas, embora não tenha deixado a desejar de uma maneira geral, eles não poderiam, em 17 músicas, agradar todos os desejos pessoais dos presentes.

Público: 8

Galera gritou, cantou, agitou, pulou, se doou completamente. O público brasileiro, quando quer, é o melhor do mundo mesmo e mostrou isso no dia 11. Com exceção do empurra-empurra-esmaga de sempre na pista que infelizmente está sempre presente.

Organização: 7

Público brasileiro é empolgante, mas também gosta de ser feito de bobo. Pagar a fortuna que pagamos por ingressos, ficar na chuva por horas, ter seus itens (guarda chuvas, comes e bebes, noutros casos baterias de câmeras digitais e etc.) confiscados sem devolução, shows que atrasam e muitas vezes acabam tarde demais e por aí vai a lista de reclamações que poderíamos ter, estão presentes em praticamente todos os shows por aqui, e, desta vez não foi diferente, mas eu vou procurar ver o lado bom desta vez, e apreciar a consideração que os organizadores tiveram pelo público lá fora.

Set-List

1. Shot in the Dark

2. In the Middle of the Night

3. Faster

4. Fire and Ice

5. Ice Queen

6. Our Solemn Hour

7. Stand My Ground

8. Sinéad

9. What Have You Done

10. Iron

11. Angels

12. Memories

13. Where Is the Edge

14. Deceiver of Fools

15. Mother Earth

Bis:

16. Hand of Sorrow

17. Stairway to the Skies