Rock e machismo

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Primeira questão: padrão de beleza imposto e fetichização

Sejamos francos: quantas mulheres gordas, negras e de outras etnias, “normais”, vemos nas bandas de rock e metal atualmente? Quantas vocalistas precisam passar sempre um ar de “pureza” para seus fãs? E mais, quantas mulheres fazem outra coisa, além de vocais? Eis a nossa primeira questão.

Se você não conhece esta mulher, não conhece uma das melhores vocalistas de metal

Para colocarmos como exemplo, peguemos uma banda de metal como o EPICA. A sua vocalista, Simone Simons, incorpora TODOS os padrões de beleza possíveis para uma mulher: é extremamente bonita, ruiva, branca, magra e usa de seu “sex-appeal” como propaganda para a banda. Torna-se, desta maneira, um ícone a ser seguido e diversas outras bandas vão no mesmo caminho, tais como AGHORA, AZYLYA, DELIGHT, DELAIN, ELANE, IN THIS MOMENT, KATRA, FOREVER SLAVE e outras, cujas vocalistas serão mais conhecidas por serem bonitas do que pela técnica empregada em suas músicas (isto QUANDO elas possuem alguma técnica mais refinada para tal). Passa-se a impressão de que qualquer mulher bonita serve para cantar e apenas isto.

Este padrão obriga a todas as vocalistas serem sempre muito belas e seguirem diversos padrões de beleza, suas vozes serem sempre melodiosas, “certinhas”, sem nenhum erro ou mudança. Em algumas, o vocal masculino será sempre grave ou mesmo “desleixado”, sem a necessidade de soar harmonioso. Raras são as bandas onde os vocais masculinos e femininos são tratados da mesma forma, colocando sempre a ênfase na imagem.

Como agravante, as vestimentas empregadas recorrem ao fetiche masculino de a mulher sempre precisar parecer sensual em todas as ocasiões. Basta notar que, quando não utilizam algum vestido, as mulheres vocalistas usam corsets, decotes, saias e outras adereços para ressaltar e marcar bem seus corpos. Não aparecem como forma de ressaltar sua feminilidade, tampouco como chamariz para chocar as pessoas com sua sexualidade, estão ali justamente para servirem como reforço ao discurso de “mulher tem que ser sensual e não vulgar”, repetido exaustivamente pelas pessoas.

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