SIGFADHIR – entrevista

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Estamos com a nossa primeira entrevista para o groundcast. Entrevistamos Dubh Vandraedaskald, que nos conta como a banda se formou, quais as influências e, acima de tudo, como uma banda underground passa por maus bocados. Eles tocaram recentemente no Odin’s Kriger Fest II, acontecido no dia 13 de agosto, no Ego Club.

 Por favor, nos conte a história do Sigfadhir.

Dubh Vandraedaskald: Em 2008 André Frekihugr (vocal/guitarra) e Felipe Malavazzi (baixo) resolveram criar um projeto para tocar sons sobre bebedeiras, trolls e brigas de taberna, chamado Drunkagård. Mas com o passar do tempo a temática da banda foi mudando, tendendo cada vez mais para letras e sons que tratavam de batalhas, da vida cotidiana e das crenças dos povos chamados vikings. Assim surgiu a necessidade da troca do nome, o qual foi escolhido Sigfadhir. Depois de diversas mudanças na formação Dubh Vandraedaskald se juntou à banda na bateria, e mais adiante Victor Maldonado assumiu a segunda guitarra. Participamos de alguns festivais, e agora a banda está trabalhando na gravação de sua primeiro Demo, que deve ser lançada até o final de 2011.

Como você descreve o Sigfadhir?

Dubh Vandraedaskald: O nome, que significa Pai da Vitória, é uma homenagem à Odin, o deus da sabedoria, da guerra e da morte na mitologia nórdica. A idéia é trazer aos ouvidos dos apreciadores canções com o peso e a força do metal aliados a melodias heróicas e tribais, com elementos de influência tradicional e letras sobre deuses e povos pagãos do antigo norte da Europa. Não queremos falar apenas sobre mitologia e guerras, sangue, espadas e aço. Queremos mostrar também o lado humano que havia nos homens do passado, o que eles sentiam ao retornar aos seus lares após uma batalha severa, as dificuldades de se enfrentar o rigoroso inverno de sua região, o respeito para com a natureza e a terra, enfim, trazer à tona um pouco mais dos valores admiráveis deste povo antigo.

 Quais são as principais influências da banda?

Dubh Vandraedaskald: Dentro da banda cada um tem seu estilo preferido, e isso vai desde o Metal Melódico até o Black Metal. Acredito que as maiores influências estão entre Menhir, Otyg, Storm, Isengard, Moonsorrow, Bathory, Ensiferum, Turisas, Heidevolk, Týr e muitas outras, mas não acredito que estas bandas influenciem tanto assim nas criações do Sigfadhir. São ídolos, e não moldes.

Atualmente tem crescido consideravelmente o interesse pelo viking metal no Brasil, com eventos temáticos e shows. Como você avalia este crescimento?

Dubh Vandraedaskald: Realmente de um tempo para cá a cena tem crescido bastante, e considero isso muito bom, já que curto bastante o estilo. Bandas grandes como Týr, Koorpiklaani, Finntroll e Cruachan finalmente estão se apresentando por aqui, e ótimos festivais como o Odin’s Krieger Fest e o Thorhammerfest têm acontecido, dando grandes oportunidades de bandas do Brasil e de fora apresentar seus trabalhos ao público que aprecia o estilo. Mas infelizmente a maioria dos eventos de Viking/Folk ainda estão fechados no circuito das grandes capitais como São Paulo, o que nos impede de ver ao vivo bandas muito boas como o Hagbard de MG e o Godheim de GO. E isso também limita as apresentações das bandas de SP – como é o caso do Sigfadhir – somente a São Paulo. Mas tenho confiança que isso irá mudar em um futuro próximo.

Quais os problemas que a banda tem enfrentado para se manter na ativa?

Dubh Vandraedaskald: Até agora nenhum problema grave. Acredito que a maior dificuldade que enfrentamos é conseguir encontrar as pessoas corretas para a banda. Não é muito fácil encontrar pessoas em sua região que toquem violino ou flauta por exemplo e que estejam dispostas a tocar metal/viking metal.

Como é o relacionamento do grupo com outras bandas?

Dubh Vandraedaskald: Estamos conhecendo as pessoas agora, já que nossa primeira apresentação foi ainda no começo deste ano. Mas já temos bandas que podemos considerar parceiras, como é o caso do Wolfklan e do Grim Suffering por exemplo. O relacionamento com outras bandas no geral é bom.

Como anda a cena para o Viking Metal no Brasil, como um todo?

Dubh Vandraedaskald: Fraca. Como disse antes, não tenho notícias de nenhum festival com bandas do estilo fora de São Paulo, e mesmo por aqui são poucos comparados a fests de outros estilos. Mas espero que isso melhore, e que as pessoas de outros estados que curtem Folk Viking Metal possam ter festivais do estilo em suas capitais.

Existe algum plano de turnê para um futuro próximo?

Dubh Vandraedaskald: Ainda não. O plano agora é gravar nossa primeira Demo e divulgá-la em seguida.

Qual foi o show mais marcante na carreira do grupo?

Dubh Vandraedaskald: O Sigfadhir só fez três apresentações até então, mas acredito que a mais marcante foi a nossa primeira, na primeira edição do Odin’s Krieger Fest. Tinhamos acabado de firmar a formação da banda na época, e tivemos que criar sons para um setlist e ensaiar exaustivamente para o festival, que aconteceria em pouco mais de um mês! Mas tudo correu bem, e foi muito gratificante ouvir a galera aplaudir e urrar quando terminamos de tocar o primeiro som.

Agora este espaço é teu. Deixe um recado para os leitores do groundcast.

Dubh Vandraedaskald: Gostaria de agradecer ao Groundcast pela oportunidade de divulgar um pouco mais sobre o trabalho do Sigfadhir, que ainda está só no começo, mas que tem muito a oferecer. A cena Folk Viking no Brasil está apenas engatinhando ainda, mas já dá sinais de um futuro promissor, seja pelas ótimas bandas do estilo que estão surgindo no cenário, seja pelos poucos – mas ótimos – festivais que estão acontecendo ou seja pelo público que tem comparecido e dado o maior apoio a estas iniciativas. E o aço tem que ser malhado enquanto quente! Então vamos lá Brasil, vamos nos unir e fazer com que a cena dê certo! HAIL!

Para conhecer a banda, clique no myspace e nos links abaixo:

Página no Facebook: http://www.facebook.com/Sigfadhir

Editor, dono e podcaster. Escreve por amor à música estranha e contra o conservadorismo no meio underground.