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Steampunk – O que é, afinal de contas?

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Qualquer subcultura ou tribo urbana passa por renovação e mudança. Dentro do heavy metal tivemos, nos últimos tempos, uma “invasão viking” e o seu aparecimento mais frequente na mídia especializada. Tivemos também o cybergoth que, durante anos, lutou por um espaço dentro da cena gótica, com seu visual mais próximo do clubber, mas ainda com alguns elementos em comum com o ‘gótico’ (ou ao menos é isto que seus defensores asseguram). E estamos vivendo uma era onde o termo “steampunk” ganha a cada dia mais força.

A palavra steampunk veio com a literatura, a partir da década de 1980, como uma forma de classificar outra forma de contar histórias, surgida duas décadas antes, com fortes influências em pessoas como Júlio Verne e H. G. Wells. Foi uma brincadeira, pelo fato do termo cyberpunk também estar em alta neste período e ambos os moldes literários seguirem alguns temas parecidos, sobretudo com relação a evolução tecnológica.

Contudo, diferente da decadência e da crítica social do cyberpunk, o steampunk teve, então, um lado mais otimista da sociedade. Inspirando-se no período vitoriano inglês, onde aconteceu uma grande evolução tecnológica, o gênero cria uma linha alternativa do tempo, onde temos as invenções malucas, as armas mirabolantes e toda uma série de inventos maravilhosos em pleno século XIX. Então podemos dizer que, no fundo, o steampunk é uma forma de “low sci-fi” mais mágico e tecnológico e muito menos distópico que seu irmão.

Para situar o leitor de forma adequada no que segue esta estética, mostrando uma revolução industrial alternativa, aconselho a leitura de A Máquina Diferencial, de William Gibson, A Liga Extraordinária, quadrinho escrito por Alan Moore e ilustrado por Kevin O’Neill. Há outros materiais, mas estes te darão uma excelente ideia de como se iniciou o movimento e a estética.

Após este tipo de temática invadir a literatura, os quadrinhos, o cinema (com filmes como Wild Wild West), algumas pessoas, fãs deste tipo de entretenimento, começaram a se reunir em grupos com este tipo de gosto. Com isto, começava a se formar o embrião do que viria a ser o “movimento steampunk”, com pessoas adotando um visual onde havia uma mescla entre o vitoriano e o futurista, criando um híbrido bastante interessante.

A “moda steampunk” é composta basicamente por objetos como óculos de todo tipo (especialmente aqueles de aviador e alguns mais antiquados), capas, sobretudos, vestidos e toda a série de acessórios feitos pelos próprios participantes deste estilo. É quase como um “cosplay”, mas sem representar, necessariamente, um personagem específico.

Esta estética também pode ser vista em ilustrações, releituras de grandes obras e personagens em versão steampunk, objetos do cotidiano, como mesas, cadeiras e até mesmo computadores. Quase tudo isto feito por meio de diversas customizações e adaptações de objetos.

Certo, mas onde entra a música nesta história toda? E existe uma subcultura steampunk? A resposta a estas questões é um bocado demorada, então leia com bastante atenção.

Primeiro, não existe exatamente uma subcultura steampunk. Isto acontece exatamente por não existirem valores a serem colocados e muito menos um padrão bem definido para o “steampunker”. Na verdade, eles acabam próximos dos revivalistas, pessoas que buscam recriar uma determinada época da história, como o período vitoriano. Ou mesmo das pessoas do estilo medieval, organizando as feiras medievais, com duelos de justas, música típica e outras coisas. Vira um tipo de estética que atrai gente de outros locais e outras ideias, não constituindo, exatamente, um grupo próprio e coeso.

A música chamada de steampunk reflete isto. São grupos ou projetos de diversas sonoridades, cujo elemento de ligação é a temática. Então podemos ter um grupo de darkwave como o Abney Park (incorporando muito deste estilo em seu visual), o hip-hop mesclado com música eletrônica do Dr Steel, Humanwine com seu som próximo do folk punk, a música eletrônica ambiente de Johnny Hollow e o “goth’n’roll” do Unextraordinary Gentlemen, só para citar alguns exemplos. Em muitos momentos vemos dentre os estilos apreciados pelos fãs do steampunk algumas bandas de gypsy punk como o Gogol Bordello. Isto já basta para entendamos o quão abrangente se tornou o estilo dentro da música.

Aqui no Brasil estamos vendo o crescimento pelo interesse nesta estética retrofuturista. Temos grupos como o Conselho Steampunk, promovendo encontros e discussões sobre o assunto. O projeto Picnic Vitoriano acaba abarcando um pouco do steampunk em sua proposta, mesmo sem ser voltado a ele. Não temos, infelizmente, eventos próprios para ele, contudo é uma questão de tempo para compartilharem os mesmos espaços em eventos de animes e baladas góticas. O mais perto que tivemos disto foi o Steampunk Adventures, mas ainda sim precisa crescer este segmento alternativo.

O que podemos entender, no fim das contas, sobre o steampunk é que, felizmente, não é algo facilmente rotulável. Talvez seja, inclusive, um gênero que vá amadurecer dentro do ramo da música e ganhar algumas características próprias no futuro. Talvez desenvolva também algum tipo de organização. Então, ajeite seus óculos, pegue seu casaco e embarque no grande dirigível.

Como recomendação, deixo alguns livros e discos para serem lidos e ouvidos, além de sites importantes.

Livros

A Máquina Diferencial

Vaporpunk – Relatos Steampunk Publicados Sob As Ordens de Suas Majestades

Steampunk – Poe

Sites

http://www.steampunk.com.br/ (Conselho Steampunk)

http://www.steampunk.com/

http://steampunk-pics.com/

http://steampunkworldsfair.com/

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