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Eu gosto bastante de thrash metal, cresci basicamente ouvindo os grandes nomes como METALLICA, EXODUS e SLAYER. Sempre que aparece uma banda no gênero por aqui, eu fico feliz, mesmo sabendo que a maior parte delas acaba por ser um “cover de luxo” do que já foi feito antes. Contudo, sempre tem coisa legal surgindo no meio e essa semana a gente leva um papo com o SUBLIND, falando sobre sua trajetória, a evolução d som ao longo dos anos, influências do thrash metal e experiências compartilhadas com nomes importantes do cenário internacional.
Primeiramente, estou muito feliz pela oportunidade de entrevistá-los. Para começar, poderiam contar um pouco sobre como começaram na música e como essa jornada levou à formação do Sublind?
LUCA: Antes de mais nada, agradecemos por nos receber! Entrei em contato com a música muito cedo. Apesar de não termos músicos na família, meu pai sempre ouvia muita música quando eu era pequeno — bandas como Genesis, Pink Floyd, Deep Purple e muitos outros clássicos dos anos 70 e 80. Lembro desses dias e preciso dizer que meu pai tinha um gosto musical incrível! Entrei no metal por volta dos 11 ou 12 anos, ainda no ensino fundamental, quando minha professora tocou Rammstein numa aula de artes — aquilo me impactou muito. Depois mergulhei em bandas de nu metal como Korn e Slipknot. Algumas semanas depois, descobri o metal clássico, especialmente o thrash. Quando ouvi Sepultura, Slayer, Testament e mais uma dezena de bandas, fiquei completamente viciado. Em 2005, conheci os caras que depois formariam o Sublind comigo — em pequenos shows locais, por amigos em comum. Isso foi em dezembro daquele ano. No começo, nos chamávamos Morrow por algumas semanas, mas logo mudamos o nome. Não tínhamos uma direção certa para o estilo, mas depois de 2 ou 3 anos, nossa paixão pelo thrash começou a tomar forma na banda. E olha só… 20 anos depois estamos aqui!
A banda existe há bastante tempo — foi fundada em 2005. O que você sente que mudou no som desde aqueles primeiros anos?
LUCA: Ah, muita coisa mudou — principalmente os membros da banda, haha! Tivemos várias mudanças internas ao longo dos anos, e cada nova pessoa trouxe ideias e influências novas, deixando nosso som com um sabor um pouco diferente. Em certo sentido, fomos nos reinventando e refinando a música passo a passo… Mas, em meio a todas as mudanças, uma coisa permaneceu: o espírito da banda. Aquela energia bruta, o amor pelo thrash e nossa paixão por tocar música pesada, rápida e honesta — isso sempre esteve no núcleo do Sublind. Crescemos, claro — mas nunca perdemos o que nos faz únicos.
Normalmente sou um pouco cético com bandas que tentam soar nostálgicas demais — costuma parecer falta de criatividade. Mas sua música soa nostálgica e ao mesmo tempo fresca. Como vocês descreveriam o som do Sublind?
KEVIN: Acho que nosso som evoluiu bastante, em parte — como o Luca disse — pelas várias mudanças de formação que tivemos. Cada um vem de uma base musical parecida, mas também diferente, e isso agrega algo novo. Digo também que o Billy Kaufmann fez um ótimo trabalho no nosso último EP para dar ao som clássico um toque moderno.
LUCA: Concordo totalmente. Mas também é interessante observar que todos nós amamos o thrash clássico. Claro, o thrash evoluiu nos últimos 30–40 anos, sempre acompanhando o espírito da época. Acontece o mesmo com a gente. Se escutar nosso álbum “The Cenosillicaphobic Sessions”, vai notar aquela pegada crua, mas tudo bem encaixado e redondo. E, só algumas semanas depois de finalizar aquele álbum, já estávamos pensando no próximo e questionando: “E se nosso som refletisse como o thrash deveria soar em 2025? Vamos nessa!”
O nome Sublind é bem único — uma fusão de ‘sublime’ e ‘blind’ (cego). Como esse nome reflete o espírito da banda?
LUCA: Isso mesmo! É a junção dessas duas palavras. Sinceramente, não sei dizer ao certo como chegamos a esse nome. Estávamos brincando, tentando criar um nome fundindo dois termos, e em algum momento ambos apareceram — achamos que soava legal. Sem um significado profundo por trás, só curtimos o resultado e ficou.
O título do álbum “The Cenosillicaphobic Sessions” é bem intrigante. De onde surgiu, e o que ele representa neste lançamento?
LUCA: O título já circulava internamente desde 2019, quatro anos antes do lançamento. Lembro exatamente do dia em que decidimos. Curiosidade: naquele dia tinha Pizza Havaí no cardápio — e não comi! Só meses, ou até anos depois do álbum anterior, “Thrashing Delirium”, percebemos que boa parte das nossas letras — embora não todas — giravam em torno de álcool e alcoolismo. No começo, meio que idolatrávamos e celebrávamos o ato de beber. Mas em “The Cenosillicaphobic Sessions” demos uma guinada. O álcool ainda aparece, claro — mas agora de maneira mais irônica, sarcástica, às vezes até sombria. Por isso o título encaixa tão bem: cenosillicafobia é o medo de copos de cerveja vazios. E para nós, esse copo vazio também simboliza algo mais profundo — demonstra que, metaforicamente, nossos copos também têm se esvaziado. Queremos mudar o foco das letras no futuro, mas para o álbum de 2023, tudo se encaixou perfeitamente.
O álbum recebeu críticas muito positivas da imprensa, com notas altas em vários veículos. Como vocês lidam com esse reconhecimento? Isso aumenta a pressão ou serve como motivação?
KEVIN: Honestamente, é muito gratificante. Não sinto pressão — só motivação. Colocamos muita energia, paixão e dinheiro nisso, então receber esse retorno é ótimo.
LUCA: Estamos realmente felizes com o feedback — o álbum foi bem recebido em geral. Motivação sempre temos, felizmente a pressão só aparece de vez em quando e não com muita intensidade. É tudo questão de mentalidade e preparação.
Vocês têm presença forte nos palcos, inclusive abrindo para grandes nomes como Exodus, Exhorder e Nervosa — banda brasileira que ganhou notoriedade lá fora. Como é dividir palco com bandas tão consagradas?
LUCA: Para nós, cada integrante com emprego em tempo integral, é sempre uma baita conquista e oportunidade dividir o palco com nomes internacionais. Significa que pra algumas pessoas, fazemos um trabalho honesto e bom no palco. E, sinceramente, é surreal! Quando adolescentes, tínhamos pôsteres dessas bandas nos quartos, como Death Angel e Exodus, e alguns anos depois estávamos encontrando eles nos bastidores. Doido pensar nisso — mas incrivelmente legal.
Vocês mencionaram que o som ficou mais limpo, pesado e rápido. Como foi o processo técnico dessa evolução ao longo dos anos?
KEVIN: Quando entrei na banda, em 2019, notei que muita coisa tinha mudado. Não via um show do Sublind fazia anos, então quando Luca me chamou, refresquei a memória ouvindo o álbum antigo “Thrashing Delirium” antes da audição. Em vez disso, Luca me enviou faixas inéditas para aprender — e imediatamente pensei: “Nossa, isso está muito mais pesado do que eu lembrava.” As músicas eram “Boiling in Blood” e “Cenosillicaphobia”. Ganhei liberdade total para criar. Meu antecessor, nder Millim, tocava tudo bem limpo — mas venho do punk, então trouxe mais sujeira e agressividade pro som. Os caras pediram pra eu adicionar essa pegada…
LUCA: Um destaque especial pros nossos guitarristas Marc e Ben e pro baterista Kevin — eles foram fundamentais na lapidação do nosso som nos últimos anos. O baixista Mehdi está com uma sonoridade muito mais presente e poderosa que qualquer ex-integrante. E eu gosto de pensar que também evoluí nos vocais.
Vocês acham que ainda há espaço para criatividade no thrash metal? Às vezes parece que o gênero fica à sombra dos grandes nomes, com várias bandas tentando ser o próximo Metallica, Pantera ou Overkill.
KEVIN: Com certeza há! O thrash evoluiu bastante nos últimos anos. Temos vários subgêneros hoje — nem sei se é assim para outros estilos de metal. Apesar dos grandes nomes serem referências, há muito espaço para criatividade — e felizmente a cena está cheia de bandas inovadoras e que mantêm o thrash vibrante.
O vídeo de “For Those About to Riot” foi gravado em um bar local e tem uma energia bem espontânea. Como foi essa experiência e o quanto é importante manter essa conexão com o público local?
LUCA: O vídeo saiu exatamente como queríamos. Não queríamos algo polido ou mega profissional — nem aquele clichê do metal filmando em hangar. Não que esses vídeos sejam ruins, mas é sempre parecido e não combina com a gente. Queríamos algo engraçado, sem se levar muito a sério. Rimos muito enquanto bolávamos ideias. Gravamos cenas hilárias o suficiente para dois outros vídeos, mas algumas poderiam causar polêmica demais na nossa pequena Luxemburgo!… A parte do show ao vivo foi demais. Convidamos amigos, bandas e organizadores para curtir com a gente no lendário MK-Bar. Ficamos super satisfeitos com o resultado, e acho que a galera gostou também. Os fãs e amigos significam muito pra gente — sabemos de onde viemos e entendemos que não teríamos chegado tão longe sem o apoio de muitos amigos e ex-membros. De certa forma, “Riot” é o vídeo de todos eles.
Obrigado pela entrevista! Este espaço é para vocês deixarem um recado para os leitores.
LUCA: Obrigado pela entrevista e por ler até aqui! Não se esqueçam de ir a shows underground e apoiar bandas menores. Ser menos conhecido não significa ser menos bom, e as bandas locais costumam surpreender da melhor forma.
KEVIN: … E comprem CDs ou camisetas deles — pode parecer pouco, mas é fundamental pra todo mundo do meio. Vocês são quem mantém a cena viva!
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