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Eu gosto muito de bandas que voltam aqui e dessa vez nos superamos trazendo o From Ashes Reborn. Nesta entrevista falamos com o baterista Thomas sobre estreia da banda e seu amadurecimento musical e pessoal, processo de composição e produção do álbum, além de death metal melódico escandinavo, crítica social, a busca por uma utopia e o papel da emoção na atmosfera do disco.
Sete anos se passaram desde a última vez que vocês falaram com a gente. Você poderia contar o quanto suas vidas mudaram e como a abordagem de vocês em relação à música evoluiu?
THOMAS: Sete anos podem parecer uma vida inteira. Não somos os mesmos músicos — e nem as mesmas pessoas — que éramos em 2018. A vida deixa cicatrizes. Ela deixa perguntas. Ela deixa dúvidas. E tudo isso transborda para a música. Naquela época, Existence Exiled foi uma erupção de energia. Hoje, Chasing Utopia é mais profundo, mais sombrio e mais reflexivo. Nós nos tornamos mais pacientes, mais deliberados. Agora, os riffs carregam mais intenção, e as melodias têm mais peso. Este álbum não é apenas agressão — é emoção esculpida em som.
Como foi o processo de compor e produzir Chasing Utopia no Klangschmiede Studio E com Markus Stock novamente, e como o processo de composição de vocês evoluiu desde Existence Exiled?
THOMAS: Desta vez, tudo esteve em nossas próprias mãos. Ao contrário do nosso debut, que foi gravado em um ambiente de estúdio, Chasing Utopia foi totalmente gravado, produzido e mixado por nós mesmos. Isso mudou tudo. Não havia filtro externo. Não havia concessões. Éramos apenas nós, lapidando cada detalhe. Foi intenso, às vezes até obsessivo — mas também libertador. A composição se tornou mais épica, mais atmosférica. Nós não apenas escrevemos músicas. Construímos um conceito, em que cada faixa mostra um lado diferente da nossa ambição musical.
Que influências de bandas como Amon Amarth, Insomnium ou Gates of Ishtar moldaram o som épico e melódico do novo álbum?
THOMAS: Para nós, trata-se menos de copiar bandas específicas e mais de absorver uma filosofia de composição. A cena escandinava dos anos 1990 ensinou uma lição essencial: a melodia pode ser tão poderosa quanto a brutalidade. Essa ideia está profundamente enraizada no nosso DNA. A sensação épica de Chasing Utopia não vem de orquestrações ou de uma grandiosidade artificial — ela vem da harmonia. De riffs que respiram, em vez de atacarem o tempo todo. Trabalhamos conscientemente com dinâmica: tensão e alívio, fragilidade e erupção. Você pode até perceber ecos da precisão clássica de Gotemburgo ou da melancolia nórdica, mas o que realmente moldou este álbum foi o desejo de criar contraste. Um blast beat devastador só parece realmente gigantesco se nasce do silêncio. Um gancho melódico só acerta em cheio quando emerge da escuridão. A dimensão épica do álbum é emocional, não teatral. Ela está na atmosfera, não na decoração. E esse equilíbrio entre agressão e introspecção define o som muito mais do que qualquer influência isolada jamais poderia definir.
Os temas de Chasing Utopia, como a busca incansável por uma utopia em meio ao caos, refletem experiências pessoais dos integrantes ou uma crítica social atual?
THOMAS: Eu penso muito nisso porque, mais do que nunca, vivemos em um mundo cada vez mais destruído por ideologias extremas, especialmente aquelas que excluem as pessoas, e eu realmente gostaria que uma utopia se tornasse realidade. É impossível ignorar o mundo em que vivemos. Vemos sociedades se dividindo. Vemos a verdade se tornar uma arma. Vemos pessoas se agarrando a ideologias que excluem em vez de unir. Vivemos cada vez mais em um mundo em que o significado vira moeda e a verdade é manipulada — e isso não é ficção. Isso é realidade. Mas este álbum não é sobre pregar. É sobre confrontar. Chasing Utopia faz uma pergunta dolorosa: e se o mundo perfeito com que sonhamos se tornar apenas outra ilusão? A busca por uma utopia pode inspirar esperança — mas também pode destruir. Essa tensão vive em cada faixa.
Vocês estão planejando shows para promover Chasing Utopia, talvez turnês pela Europa ou festivais, e existe o sonho de tocar no Brasil para o público headbanger daqui?
THOMAS: From Ashes Reborn sempre foi um projeto mais focado em estúdio. Nossa energia vai totalmente para a construção do som, da atmosfera e da produção. Neste momento, não há shows ao vivo planejados. Mas temos um respeito imenso pelo público brasileiro de metal. A paixão, a intensidade e a lealdade dos headbangers brasileiros são lendárias. Se um dia o momento certo chegar, tocar no Brasil seria um sonho.
Em 2026, com o streaming forte e o Bandcamp em evidência, como você vê o futuro do melodic death metal underground, e o que vocês esperam em relação a merch e selos depois de críticas positivas como as do Metal Temple?
THOMAS: Espero que, um dia, o gênero volte a ter mais destaque, porque sinto que a maioria das bandas de melodic death metal seguiu ou por uma linha mais pesada, mais voltada ao metal em geral, ou migrou para o nu metal e o metalcore. O melodic death metal nunca foi sobre tendências. Ele nasceu da emoção, da escuridão, da necessidade de expressar algo real. E enquanto as pessoas continuarem sentindo raiva, desejo, perda e esperança, esse gênero vai sobreviver. Sim, muitas bandas caminharam para direções mais pesadas, modernas e influenciadas pelo metalcore. Outras poliram o som para caber melhor em playlists. Tudo bem. Evoluir é natural. Mas acreditamos que sempre haverá espaço para bandas que permanecem fiéis ao núcleo melódico — guitarras guiadas por harmonia, tons melancólicos e uma atmosfera épica. O streaming mudou drasticamente o ambiente para as bandas. Ele dá exposição, mas também transforma a música em conteúdo descartável. O metal underground sobrevive porque os fãs ainda se importam. Eles compram cópias físicas. Eles apoiam no Bandcamp. Eles leem os encartes. Eles sentem os álbuns como jornadas. Quem sabe se o melodic death metal voltará ou não ao mainstream. Ainda assim, esperamos que ele resista. E resistir é mais forte do que qualquer hype.
Muito obrigado pela entrevista. Agora é hora de deixar uma mensagem para os nossos leitores.
THOMAS: Rock on. Obrigado por dedicarem seu tempo e sua atenção à música independente. Se vocês apreciam melodias fortes, estruturas bem pensadas e um equilíbrio entre agressão e emoção, esperamos que este álbum ressoe com vocês. Continuem fazendo barulho!
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https://thesplendidpath.bandcamp.com/

