Melhores Discos de 2025: mais uma lista

1 min


0

Entra ano, sai ano e sempre tem uma lista minha de discos que saíram esse ano que já findou. Era para ter saído no final do ano passado, mas como teve disco legal saindo na rabeira do ano, levei um tempo para absorver tudo e escrever aqui para vocês. Tem música para todos os gostos e eu acho que vai faltar tempo para vocês ouvirem tudo, mas bora aumentar esse som.

Mogwai – The Bad Fire

Mogwai é aquele clássico que a gente nunca pode desprezar. Décimo primeiro álbum de estúdio da banda, trazendo uma sonoridade introspectiva, com a produção de John Congleton. Embora Fanzine Made of Flesh traga alguma coisa mais alegrinha, espere por um disco triste, com uma musicalidade mais puxada para o indie rock, com muitos efeitos.

ameokama – i will be clouds in the morning and rain in the evening

Eu gosto muito de uma banda chamada A Constant Knowledge of Death, que tem uma sonoridade porreta de doom/sludge/hardcore e me deparo com o trabalho solo de Aki McCullough e olha, é impressionante. Como primeiro disco, impressiona demais por ser uma mescla muito legal de noise, post-rock, shoegaze e pop experimental. Para mim soa como um caleidoscópio de gêneros musicais que funcionam e são, ao mesmo tempo, acessíveis e experimentais.

Heartworms – Glutton for Punishment

Heartworms é uma banda que me impressionou demais desde que escutei o single de Mad Catch. Com Glutton for Punishment temos a vocalista Jojo Orme alternando entre diversos personagens, com uma obra super aclamada, mostrando que existe sim alternativas legais dentro de uma cena bem saturada como a do post-punk revival.

Intensive Care / The Body – Was I Good Enough?

Este foi, talvez, o ano que ouvi menos música noise e experimental, mas essa colaboração entre o The Body e o Intensive Care botou para quebrar tudo, abraçando tudo aquilo que eu gosto dentro do power electronics, sludge doom e industrial. São músicas sobre sofrimento, dor, angústia emocional, tudo numa forma de sentir todo o mal estar da própria existência.

Dead Pioneers – PO$T AMERICAN

Conheci o Dead Pioneers por conta de uma música desse disco feito em colaboração com o Petrol Girls e descobri uma nova banda que me fez ouvir toda a discografia. É uma banda formada por indígenas, que combina o melhor do post-punk com o post-hardcore e o rock alternativo, como um grito de guerra contra o capitalismo, o colonialismo, a hipocrisia americana, o machismo e tudo o que os não-brancos sofrem nas mãos dos estadunidenses.

AlphaWhores – You Can Come Out Now

Eu confesso que nunca conheci (ao menos eu acho que nunca até então) um grupo alternativo do Panamá e o AlphaWhores veio para corrigir isso. Com músicas pesadas, melancólicas, que passam por temas como identidade, saúde mental, traição e resiliência, esse disco é uma resposta ao desconforto e traz momentos de catarse ao colocarmos para fora nossas vulnerabilidades.

Marc Urselli's Best of Ramones (Redux)

Não sou de indicar compilações ou tributos em discos que eu mais curto em um ano, até porque muitas vezes eu sinto que esses trabalhos são muito caça-níqueis pro meu gosto. Mas o Marc Urselli conseguiu o feito de trazer os nomes mais improváveis para fazerem parceria em um disco, como Kayo Dot com Ihsahn fazendo Teenage Lobotomy ou colocar o casal Dave e Paula Lombardo para trabalharem juntos com o Eicca Toppinen do Apocalyptica em I Want You Around. Tudo soando punk e, ao mesmo tempo, igual aos artistas selecionados. Uma loucura.

nuvolascura – How This All Ends

Nuvolascura foi a banda que eu mais ouvi em 2025 e eles trazem, em seu terceiro disco, o post-hardcore mais nervoso e técnico em seus 23 minutos de pura raiva. Combinando mathcore, metalcore e hardcore punk em composições complexas que não perdem a acessibilidade emocional. É dissonante, brutal, pesado, com toda a energia e angústia que se somam em cada som.

Split Chain – motionblur

Acompanho o Split Chain desde 2024, com os singles maneiraços que eles lançaram. Eles vêm numa cena crescente de novas bandas de shoegaze e vem apostando num híbrido de new metal com shoegaze, numa musicalidade que também abraça o grunge. Muita guitarra, muita voz etérea mesclada com vocais hardcore, muita porrada e potência no ouvido mostrando que tem uma galera nova engajada demais em renovar a nossa cena e resgatar muita coisa legal.

Deftones – Private Music

Eu sou um grande fã do Deftones e me deixa feliz que, mesmo tendo quase quarenta anos de banda, eles ainda são muito relevantes para uma galera muito jovem. Em seu décimo álbum de estúdio, o Deftones marca o retorno após cinco anos, trazendo um repeteco de tudo que bom que eles fizeram em suas mais diversas fases, desde o metal alternativo ao shoegaze, tudo isso com muito refinamento e muita beleza.

Fleshwater – 2000: In Search Of The Endless Sky

Descobri o Fleshwater em 2023, quando comecei a mergulhar no post-hardcore e a beleza do instrumental do grupo, junto a voz de Marisa Shirar me encantaram e esse segundo álbum mostra uma evolução a uma musicalidade mais acessível, mas sem abrir mão do experimentalismo.

Crippling Alcoholism – Camgirl

Uma das minhas broncas com o darkwave e o gótico é a enorme tendência de tudo ser muito parecido, algo que quase sempre vai remeter ao Sisters of Mercy, ao Clan of Xymox ou, na melhor das hipóteses, vai ser um post-punk sombrio bem mais ou menos. Crippling Alcoholism quebra isso ao trazer um som muito pop, que muitas vezes faz lembrar clássicos da música gótica, metal, noise rock, tudo isso abraçando uma estética darkwave pesada, sombria, com temas sobre violência, abuso, vício, trabalho sexual, morte e niilismo.

NGHTCRWLR – OZ

Eu amo tudo que a Kristina Esfandiari faz e NGHTCRWLR é meu projeto favorito dela, que me foi apresentado pela Tara do Caress. Em seu segundo álbum de estúdio oferece ao ouvinte uma trilha sonora para um futuro sombrio, psicodélico, com elementos de industrial, breakcore, drum ‘n’ bass, trazendo uma experiência muito interessante para quem procura alguma coisa diferente e que te tire do seu conforto.

Trace Amount – Flagrant

Eu gosto muito da brutalidade do Trace Amount e com Flagrant ele entrega muita brutalidade, incorporando harsh noise, techno, power electronics e noise. É uma música intensa, desconfortável e hostil. Eu gosto muito do quando o projeto tenta soar não apenas brutal, mas exigindo uma audição bem atenta de cada faixa, inclusive a colaboração com o Faboi Shariff, que deu uma música com o melhor do industrial hip hop ou com a Lana del Rabies, talvez uma das faixas mais angustiantes desse disco.

Warfield – Deathrock Devotionals

Eu não gosto do She Wants Revenge, mas tenho muito que confessar que o Justin Warfield, com seu projeto solo, conseguiu me cativar demais. Esse é um álbum que homenageia o deathrock, gênero que tem como banda principal o Christian Death, mas somando também outros grandes medalhões, como Bauhaus e The Cure, com muita personalidade.

HEALTH – CONFLICT DLC

Pegando a rabeira do fim de ano temos o HEALTH, que traz um disco que, teoricamente, seria uma continuação do maravilhoso "Rat Wars", com o nome referenciando DLC de videogames. Sinto que é um disco muito amadurecido, com faixas que também remontam um pouco das fases anteriores da banda, tudo isso com aquela personalidade do industrial rock dos anos 1990 que eu amo demais.


Editor, dono e podcaster. Escreve por amor à música estranha e contra o conservadorismo no meio underground.