Monika Roscher Bigband – Witchy Activities and the Maple Death (2023)

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A alemã Monika Roscher estudou guitarra de jazz e composição na Academia de Música de Munique e fundou a banda que leva seu nome como parte de sua tese em 2012.

No mesmo ano lança “Failure in Wonderland”, no mesmo ano, no formato big band, tal qual os grandes grupos de jazz dos anos 1960. No entanto, ela nunca se rendeu ao jazz tradicional das big band, calcado numa musicalidade mais comercial, buscando inspiração além do jazz.

Sua música é influenciada não apenas pelos muitos gêneros dentro do jazz e do rock progressivo, mas também por música pop, eletrônica, rock alternativo e muita coisa legal. O resultado é uma sonoridade fora do convencional, áspera, pesada, com muitas camadas de uma excelente musicalidade.

“Witchy Activities And The Maple Death” precisou de sete anos de lapidação e trabalho para vir ao mundo, enquanto Monika também compôs música para várias produções teatrais e atuou como professora visitante de composição no Instituto de Música da Universidade de Ciências Aplicadas em Osnabrück.

Há vinte músicos atuando nesse trabalho e, junto da guitarra elétrica de Roscher, há instrumentos de sopro que vão desde trombones a flautas e saxofones. A música eletrônica dá um toque mais moderno às composições.

Musicalmente não é um disco de jazz. Ou, pelo menos, não apenas um disco de jazz. Há uma mistura de elementos tão únicos que é muito difícil dizer de onde vem, uma vez que Monika não se prende em apenas uma música e ela alterna demais entre a multiplicidade de estilos musicais.

O álbum começa com os nove minutos de “8 Prinzessinnen”, uma música que prende a atenção com sua introdução inusitada e ritmos martelados que remetem a Gustav Holste sua suíte “Planetas”. Há um forte processamento vocal e o uso de polirritmia próximo ao fim da canção, além de contar com um saxofone barítono fazendo alguns solos fortes e marcantes.

“Firebird” puxa um pouco o freio e abre com um violoncelo e um teclado animado. Aqui a voz natural de Roscher aparece e podemos apreciar a sua beleza vocal. Aqui a música assume ares de rock e de punk cabaret, aliados a uma batida pop. Decadente, sórdida e melancólica, que parece nos transportar para um filme de época.

A terceira composição no álbum é a suíte de seis movimentos “Witches Brew”, que dura quase 13 minutos e vem separada em partes menores. O título pode ser considerado uma referência ao álbum de jazz-rock do Miles Davis, “Bitches Brew”, mas essas músicas parecem mais com as de Frank Zappa do início dos anos 70.

Todas as partes dessa música são apresentadas em ritmos irregulares, com marcas de synthpop, free jazz, música oriental, tudo isso num turbilhão caótico que faz sentido. Nos últimos movimentos somos agraciados com um jazz fortemente influenciado por math rock.

“Creatures Of Dawn” tem improvisações e é a música mais jazzística desse álbum. Tem um piano ao fundo que vai compondo a atmosfera da música e, dentro de tudo que fomos apresentados até aqui, é a música mais normal e convencional (até onde isso seja possível).

“Queen of Spades” marca uma direção menos técnica e mais musical, com uma canção que salta aos ouvidos e assume um tom cinematográfico e potente. É uma mudança bem-vinda e que traz frescor e novidade ao trabalho.

“Starlight Nightcrash” continua no jazz, mas já flerta com o trip-hop e com a música pop americana, com alguns momentos em que a voz tem mais destaque. Ajuda a dar um alívio ao ouvinte para se preparar para as próximas músicas.

“A Taste Of The Apocalypse” é aquela música que você apresenta para alguém que não conhece a banda. Traz todos os elementos que já ouvimos nas outras faixas, além de ser acessível para quem não se acostumou com o jazz.

seja uma combinação emocionante de guitarras elétricas potentes e swing forçado em um mundo de ritmo moderno (mas não tema; isso ainda não soa como Diablo Swing Orchestra!). A música até tem um refrão bastante cativante! Se houvesse um single do álbum, definitivamente seria chamado “A Taste Of The Apocalypse”.

“The Leading Expert of Loneliness” pode vagamente ser chamada de “balada”, na medida que sai do ritmo frenético do disco e permite um respiro. Ainda temos jazz, com menos experimentalismo e mais entrega de melodias. É uma música pop que agrada aos ouvidos e não agride quem quer apenas curtir uma canção bacana.

As duas últimas músicas, “Direct Connection” e “Unbewegte Sternenmeere” cumprem bem o papel de terminar este disco. Não são as melhores ou mais interessantes músicas desse disco, mas, ao mesmo tempo, continuam a trabalhar a multiplicidade de sensações.

Ao reunir mais de 20 músicos para um trabalho de jazz experimental, Monika permitiu ao mundo conhecer não apenas seu trabalho magnífico, mas também mostrar como é possível trazer o mundo da música erudita para o jazz e o rock sem tornar isso chato ou pedante.

Monika Roscher Bigband - Witchy Activities and the Maple Death (2023)
  • Nota Geral - 9/10
    9/10
9/10

Editor, dono e podcaster. Escreve por amor à música estranha e contra o conservadorismo no meio underground.