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Rese­nha: Tomada – O Ine­vi­tá­vel (2011)

051212 1926 ResenhaToma11 Resenha: Tomada – O Inevitável (2011)Uma coisa que sem­pre me deixa bas­tante cha­te­ado são as ban­das “sau­do­sis­tas”, que ten­tam revi­si­tar aquela sono­ri­dade de trinta anos trás e sim­ples­mente tra­zem a mal­di­ção do “mais do mesmo”. Tanto que den­tro do meio do rock o que mais se tem feito são ten­ta­ti­vas de res­gate que cul­mi­nam em tra­ba­lhos de gosto duvi­doso. Con­tudo, o grupo Tomada faz isto tudo e ainda sim soa como uma banda original.

É ine­gá­vel que o disco “O Ine­vi­tá­vel” seja uma obra prima do rock naci­o­nal. Direto, sem flo­reios e com letras em por­tu­guês, o grupo con­se­gue trans­mi­tir toda aquela força e garra do rock’n’roll clás­sico sem dei­xar de soar moderno. Não espere melo­dias com­ple­xas, fler­tes com outras sono­ri­da­des ou mesmo letras filo­só­fi­cas: o disco traz aquilo que falta no rock, que é a música des­com­pro­mis­sada, diver­tida, para ouvir e relaxar.

Blues, psi­co­dé­lico, rock’n’roll e mui­tos esti­los “pró­xi­mos” apa­re­cem nas músi­cas deste álbum. Sem gelo, puros ou mis­tu­ra­dos, não importa, mas sim que isto con­fere certa ori­gi­na­li­dade ao grupo pela forma coesa com que este tra­ba­lho se mos­tra. Con­fesso que a pri­meira vez que ouvi a banda fiquei impres­si­o­nado. As letras são daque­las que dão von­tade e can­tar o refrão, de tão gru­den­tas e tão melo­di­o­sas que são.

A música “Ela não tem medo” pos­sui um lado meio psi­co­dé­lico e uma iro­nia muito grande na forma como é can­tada. “Cata­rina” tem um lado blues/rock muito bonito, quase como aque­las pri­mei­ras ban­das que saí­ram de um blues para aden­trar no rock. “Estou em órbita” é uma balada pesada, com letras mais amo­ro­sas, de uma tra­di­ção das ban­das clás­si­cas de rock. Em “Luzes” o rock se torna mais con­ta­gi­ante, sendo a mes­cla per­feita entre o rock mais moderno com o mais tra­di­ci­o­nal, com par­tes de gui­tarra que reme­tem ao psi­co­dé­lico. É exce­lente como música de tra­ba­lho, é impac­tante na medida certa.

O disco é um ama­du­re­ci­mento ao tra­ba­lho desen­vol­vido desde o sur­gi­mento do grupo, em 2000. Res­gata algo que faz falta hoje, que são os gru­pos com música sim­ples, direta, diver­tida e, acima de tudo, para ser escu­tada na rádio ou no carro. É aquilo que merece ser ouvido e reou­vido quan­tas vezes puderem.

Trac­klist

  1. (Quero ter) uma música forte
  2. Ela não Tem medo
  3. Cata­rina
  4. Entro em orbita
  5. Bla Bla Bla, Bla Bla Bla (índios)
  6. A som­bra do trem
  7. Luzes
  8. O calor de abril
  9. 99 Cen­ta­vos
  10. Dc — 3
  11. Rock de aventura
  12. Hoje eu não tenho muito a dizer

Fabio Melo

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Pro­fes­sor, reda­tor e edi­tor do Ground­cast. Gosta de música, dese­nhos, escre­ver e, acima de tudo, de arte não-convencional. É o dono, pro­du­tor, res­pon­sá­vel e res­pon­seiro pelo blog.


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