BIWO: “A cena não é fácil, especialmente o underground”

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BIWO é uma banda bem interessante de heavy metal tradicional, que traz muito daquela sonoridade gostosa dos anos 1980 sem soar saudosista e repetitiva. A gente entrevistou o fundador, Sven Biwo e falamos sobre música, paternidade e como a cena metal precisa de mais criatividade.

Muito bem, estamos com mais uma entrevista, e para começarmos bem, você poderia nos dizer como você começou na música? Apresente-se a nossos leitores.

Sven: Olá Fabio e todas as pessoas daí do Brasil. Eu sou o guitarrista e vocalista Sven Biwo e compositor da Biwo. Além de mim, tem o Hanno na bateria, Justus no baixo e Finley no segundo violão. Até onde me lembro, sempre tive minhas raízes no Heavy Metal. Os meus primeiros álbuns foram o X-Factor e Virtual XI do Iron Maiden e o Trimuph Of Steel do Manowar. Com o Best Of KISS Greatest Kiss, Paul Gene e companhia também passaram a integrar a minha formação como ouvinte.

Apesar de eu estar longe de bandas mais “tradicionais” de metal, sempre respeito muito quem é capaz de resgatar o espírito do gênero sem soar muito como uma banda nostálgica. Como sua banda é heavy metal, juntamente com todos os clichês, é praticamente impossível não soar como algo antigo. Mas a BIWO tem muita personalidade, e eu adoraria saber como foi a concepção de sua concepção musical.

Sven: É muito simples. Desde a gênese. Claro que eu tenho minhas influências e subconscientemente isso influencia nas canções, mas, no final, não planejo como uma música deve soar. Há muitas bandas como Sabaton ou Powerwolf dentro desse gênero. Para mim, elas são mais empresa do que banda. Mas é apenas a minha opinião e posso estar errado. Pessoalmente, não gostaria de fazer todos os álbuns soarem da mesma maneira. Afinal de contas, me expresso como artista com a minha música. Portanto, sempre tem um reflexo da minha alma e daquilo em que acredito.

É impossível não perguntar sobre as suas influências, mesmo porque você vem da Alemanha, lar de grandes bandas como Scorpions e Helloween. Então, o que te influencia, musicalmente ou não? Porque noto uma forte inspiração em grupos como Grave Digger (especialmente nos primeiros trabalhos) e Running Wild, assim como um maravilhoso som folk-rock em Poor Boy.

Sven: Deve estar no sangue alemão. (risos) O engraçado é que você pode ouvir e saber se uma banda vem da Suécia ou da Itália. Pode ouvi-la apenas pelo estilo musical. É uma loucura. Acho que cada país tem um tipo estilo pelo qual é conhecido. No final das contas, tudo flui para algum lugar. As melodias suecas, um pouco de NWOBHM, Heavy Metal americano, um pouco de Power Metal italiano e um pouco de aço teutônico alemão me influenciam.

Também quero comentar um pouco sobre a letra: Acho interessantes, com uma pegada muito boa, falando sobre problemas, sentimentos e superação, como aqueles momentos em que precisa de uma palavra de alguém que confia em você. Como compõe sua letra e o que te inspira?

Sven: Todas as canções fazem referências a coisas que aconteceram comigo e processam algo em minha cabeça. Live Now deveria dizer que você não deveria pensar tanto, porque você não vive nem amanhã nem ontem, mas agora. A ideia de Fountain Of Youth vem do filme Piratas do Caribe e do desejo de vida eterna que também tenho. E assim, cada canção tem uma referência pessoal. As ideias para as canções vêm de livros, filmes ou eventos da minha vida. Muitas ideias surgem quando eu estou quase dormindo. Tenho sempre meu celular ao lado da cama para gravar rapidamente a ideia, pois, se eu não fizer isso, elas desaparecem na manhã seguinte.

Também notei que a capa de seu álbum Life and Death tem uma pista sobre a Mãe Terra e há uma canção que você aborda o tema do ambientalismo. Quão importante é para você a preservação da natureza? Como você lida com este assunto?

Sven: Não é exatamente sobre a proteção ambiental. Trata-se do fato de destruirmos nossa própria terra. Quantas bombas nucleares são testadas anualmente? Quantos resíduos de embalagens jogamos a cada ano? Não se trata de parar carros, aviões ou navios de cruzeiro. Você pode começar com coisas muito menores. O grande problema é que o Natal está próximo [na época que essa entrevista foi respondida]. Haverá toneladas de lixo plástico de embalagens de brinquedos jogadas fora. Muito raramente olho para o futuro porque não se pode influenciá-lo. Mas nós, humanos, estamos nos tornando cada vez mais consumistas. Tudo isso não pode continuar para sempre e todo o sistema entrará em colapso.

Ouvi de uma fonte muito confiável que você se tornou um pai muito jovem. Você tem quase a mesma idade que meu irmão, que vive aí na Alemanha e tem duas filhas maravilhosas. Você poderia nos dizer como foi esta experiência de paternidade tão cedo?

Sven: Ser pai é uma sensação indescritivelmente grande. Amo meus filhos mais do que tudo e faço qualquer coisa para protegê-los. Os filhos são o reflexo dos pais e acho que minha esposa e eu estamos fazendo um bom trabalho. Mas também me custaram muitos nervos e me fizeram a pessoa que sou hoje. Sem eles provavelmente ainda estaria sentado no pub ou na frente da Playstation. (risos) Mas, para ser honesto, a primeira vez não foi fácil e tivemos sorte de nossos pais terem dado uma força. Se pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo.

Li em uma entrevista que você gosta do X Factor do Iron Maiden. Nós aqui na equipe também gostamos deste álbum e achamos que Blaze Bayley é um grande músico (além disso, ele realmente ama a cultura brasileira). Por que você gosta deste trabalho, que é tão diferente da sua música?

Sven: Há tantas pequenas e grandes melodias acontecendo. Lembra-se da parte de harmonia do “Sign of the Cross” pouco antes do último refrão? Isso é pura magia. Ou “Blood On The Worlds Hands” (Sangue nas mãos do mundo)! Estas são algumas das grandes faixas que não são chatas. Elas têm a mistura perfeita de melodia e música progressiva. Eu não pretendo soar como Iron Maiden nos anos 90. Nós soamos como BIWO e isso é bom. Além disso, no momento escrevi as músicas que não tive uma fase ruim em minha vida como Steve teve na época desse disco. Talvez essa seja a diferença.

Como você vê a cena alemã hoje? Pessoalmente sei que existem todos os tipos de bandas por aí e festivais para todos os gostos. Muitas das minhas bandas favoritas são alemãs, desde Helloween, que toca power metal, até Diary of Dreams, um excelente grupo de darkwave.

Sven: A cena não é fácil, especialmente o underground. Os pequenos shows do clube são cancelados ou são ainda mais vazios do que eram antes da pandemia. O problema é que as pessoas não têm mais tempo para música. Ouvir um CD ou um disco é impensável. A concentração das pessoas desaparece após alguns segundos. Depois, há uma divisão na cena. De um lado os fãs do Metalcore e do outro, os fãs do True Metal. E então eles se dividem em vários subgêneros como o Black Metal e assim por diante. Eu não sou um fã de Metalcore ou do tipo de Power Metal que o Sabaton ou Powerwolf fazem, mas seria bom se a cena fosse unida.

Como veículo brasileiro, não poderia deixar de responder a esta pergunta: você conhece alguma banda do Brasil? Você gosta de alguma?

Sven: Eu gosto muito de Electric Poison. Há um selo aqui chamado Doc Gator Records que gosta de trazer essas bandas para a Europa. E eu gostei muito do que ouvi.

Quero lhe agradecer muito pela entrevista e agora este é o espaço para sua mensagem aos nossos leitores. Vamos lá, cara!

Sven: Tenho que agradecer a você! Saúde a todos, porque sem saúde as coisas bonitas na vida não trazem alegria! Stay heavy e viva agora!

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Editor, dono e podcaster. Escreve por amor à música estranha e contra o conservadorismo no meio underground.